Cotidiano

Foguete chinês retorna à Terra e cai próximo às Ilhas Maldivas

Maior parte do Long March 5B se desintegrou na reentrada; nenhum incidente foi caus...

09 mai 21 - 10h51 Atualizado 09 mai 21 - 10h53 Redação SOT
Foguete chinês retorna à Terra e cai próximo às Ilhas Maldivas

O foguete chinês que estava fora de controle e atraiu atenção mundial voltou neste sábado à atmosfera terrestre, segundo informações da agência espacial da China. Ainda de acordo com a agência, o foguete Long March 5B atingiu uma área no Oceano Índico, com as coordenadas de 72,47 graus de longitude leste e 2,65 graus de latitude norte - a oeste das Maldivas - e teve a maior parte destruída na reentrada.

O foguete, que originalmente pesava mais de 22 toneladas, foi lançado por uma estação espacial chinesa no dia 29 de abril. Depois que seu combustível foi gasto, ele foi deixado para voar pelo espaço, sem controle, até que a gravidade da Terra o arrastasse de volta. 

Geralmente, a comunidade espacial tenta evitar esses cenários. A maioria dos foguetes usados para erguer satélites e outros objetos no espaço conduzem reentradas mais controladas que miram o oceano, ou são deixados nas chamadas órbitas de "cemitério" que pode mantê-los no espaço por décadas ou séculos. 

O Long March, porém, foi projetado de uma forma que "deixa esses grandes estágios em órbita baixa", disse Jonathan McDowell, astrofísico do Centro de Astrofísica da Universidade de Harvard. Nesse caso, era impossível saber exatamente quando ou onde pousaria.

A Agência Espacial Europeia previu uma "zona de risco" que abrangia "qualquer porção da superfície da Terra entre cerca de latitude 41,5 N e 41,5 S" - que incluía praticamente todas as Américas ao sul de Nova York, toda a África e Austrália, partes da Ásia sul do Japão e Espanha, Portugal, Itália e Grécia na Europa.

A ameaça às áreas povoadas não era desprezível, mas felizmente a grande maioria da área da superfície da Terra é consumida pelos oceanos, então as chances de evitar um confronto catastrófico eram pequenas.

O foguete é um dos maiores objetos na história recente a atingir a Terra após cair fora de órbita. Antes dele, registra-se um incidente de 2018 no qual um pedaço de um laboratório espacial chinês se quebrou sobre o Oceano Pacífico.

Apesar dos esforços recentes para melhor regular e mitigar os detritos espaciais, a órbita da Terra está repleta de centenas de milhares de pedaços de lixo não controlado, a maioria dos quais com menos de 10 centímetros.

Os objetos estão constantemente caindo fora da órbita, embora a maioria dos pedaços queime na atmosfera da Terra antes de ter a chance de causar um impacto na superfície. Partes de objetos maiores, como o foguete Long March, porém, podem sobreviver à reentrada e ameaçar estruturas e pessoas no solo.

"As normas foram estabelecidas", disse McDowell. “Não há lei ou regra internacional - nada específico - mas a prática de países ao redor do mundo tem sido de conter os resíduos maiores. Não vamos deixar nosso lixo em órbita desta forma", diz.

Que foguete é esse? - O Longa Marcha 5B levou ao espaço o núcleo da futura estação chinesa Tiangong. Com 16,6 metros de comprimento e 4,2 metros de diâmetro, o laboratório terá capacidade de receber três tripulantes.

No total, serão 11 missões para construir Tiangong até 2022. Serão quatro viagens tripuladas, quatro de carga e o lançamento de três módulos. Quando completada, a estação terá vida útil de 10 anos – que pode chegar a 15 anos com atualizações.

Briga de titãs - Mesmo com a atenção internacional, cientistas desde o início haviam avisado que o risco de incidentes em terra era baixo. De qualquer modo, a China recebeu críticas pela maneira como lidou com o foguete.

Autoridades ligadas à Nasa e também à Agência Europeia afirmaram que os chineses não se prepararam adequadamente para a reentrada de um equipamento de tão grande proporção. Entre essas providências, estaria a desaceleração programada do foguete, de modo que seu curso pudesse ser controlado e dirigido a áreas específicas do planeta, o que garantiria que nenhum destroço correria o risco de atingir áreas habitadas. Ao invés disso, o foguete chinês reentrou na atmosfera terrestre sem controle, o que é considerado uma manobra de risco desnecessário por cientistas e técnicos espaciais.

Durante a semana, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD na sigla em inglês) chegou a dizer que não iria derrubar os destroços. No entanto, o Comando Espacial do país seguia monitorando a rota do Longa Marcha 5B. Embora a chance de perigo fosse mínima, o secretário de Defesa, Lloyd Austin, criticou a falta de requisito “para operar de maneira segura e cuidadosa no espaço”.

Na visão chinesa, porém, a história é bem diferente. Nas últimas semanas, o governo de Pequim reagiu fortemente às críticas. Sobrou até para a empresa de Elon Musk. Pequim chamou a SpaceX de “Space Junk”, Lixo Espacial, literalmente, e se disse vítima de uma campanha de difamação da imprensa norte-americana.

Durante a semana, o jornal chinês Global Times havia dito que a preocupação com a queda dos destroços seria exagero. Fontes ouvidas pela publicação afirmaram de que não haveria motivos para pânico. O Ministério das Relações Exteriores da China reforçou que a probabilidade do Longa Marcha 5B causar grandes danos quando entrasse na atmosfera terrestre era “extremamente baixa”.

Via: Redação/Olhar Digital/CNN Brasil - Foto: Divulgação


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