A concessão de crédito rural no Brasil entrou em uma nova fase, marcada pelo uso de monitoramento por satélite como critério para liberação de financiamentos. Instituições financeiras recorrem à tecnologia para identificar alertas de supressão de vegetação em propriedades rurais. Caso exista qualquer registro, o crédito pode ser automaticamente bloqueado ou negado, sem análise prévia detalhada da situação. A medida tem gerado preocupação no setor produtivo. Isso porque o sistema funciona de forma automatizada e não distingue, inicialmente, se o produtor possui autorização legal para manejo ou se está em conformidade com a legislação vigente. A CNA (Confederação Nacinoal da Agricultura) orienta produtores a verificarem a regularidade ambiental de suas propriedades e destaca que a regra amplia o peso dos critérios ambientais na concessão de crédito. Já a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), via o deputado federal Pedro Lupion, afirma que atuará para reverter os efeitos das normas, alegando que as medidas têm gerado insegurança jurídica.
Fertilizantes mais caros
As restrições adotadas por potências como China e Rússia, aliadas à escalada de tensões no Oriente Médio, desencadeiam uma nova crise global no mercado de fertilizantes. O fechamento de rotas estratégicas e a instabilidade em países exportadores reduzem a oferta e já elevaram os preços dos fertilizantes em cerca de 40%. No Brasil, que depende de importações em até 90%, o impacto é imediato: custos mais altos no campo e maior risco à produção. O cenário expõe uma fragilidade estrutural do agronegócio e reforça a urgência de ampliar a produção interna para garantir competitividade e segurança alimentar. Enquanto isso, a FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), pede a suspensão do imposto sobre fertilizantes, como o PIS e Cofins. “O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos”, comenta o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Leite nosso de cada dia
O Brasil é um dos países que mais consome e produz leite no mundo. Apesar dessas estatísticas, o preço do produto está mais caro para o consumidor. A alta do preço do leite longa vida, por exemplo, é de 17% e de quase 9% no leite em pó. Entretanto, esse aumento é percebido apenas nas prateleiras. No bolso de quem produz, o cenário permanece inerte. Se no mercado, o litro varia entre R$ 5 e R$ 7, no campo, a realidade é bem diferente, com o produtor recebendo R$ 2,10 o litro. Os derivados de leite também vêm nessa toada de alta. A esperança é de um cenário melhor nos próximos meses, com a chegada das temperaturas mais baixas, estimulando o consumo e quiçá, valorizando o preço pago ao produtor.
Morango egípcio
A entrada crescente de morango congelado importado, especialmente do Egito, intensifica a preocupação no setor produtivo brasileiro e evidencia um cenário de concorrência desleal. Com preços mais baixos, o produto estrangeiro pressiona toda a cadeia e compromete a rentabilidade no campo, já afetando a viabilidade da cultura em algumas regiões. Ao colunista, o Engenheiro Agrônomo Ronaldo Herculano de Lima, afirmou que a disputa é desigual: “o morango importado chega mais barato e reduz drasticamente as margens do produtor”. A diferença de escala — cerca de 60 mil hectares no Egito contra 7,5 mil no Brasil — e regras menos rígidas no uso de defensivos ampliam a competitividade externa e aprofundam a disparidade no mercado nacional. O Paraná ocupa uma posição de destaque na produção de morangos no Brasil, sendo o terceiro maior produtor nacional da fruta.