26 de agosto de 2026

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Super El Niño: Estamos preparados?

O sinal amarelo virou vermelho para o agronegócio brasileiro.

Publicado em 26/08/2026 às 10:33 | Por: Vandré Dubiela


Super El Niño: Estamos preparados?

@ Divulgação

A convite do iCS (Instituto Clima e Sociedade) e E-Mundi, o colunista Vandré Dubiela participou, nos dias 6 e 7 de agosto, em São Paulo, do 3º Encontro de Jornalistas – Impactos Sociais e Econômicos do Clima no Brasil. A agenda também envolveu a participação no São Paulo Climate Summit, realizado no MASP (Museu de Arte de São Paulo). Como não poderia ser diferente, todos os debates foram dedicados à preocupação tanto das cidades como do campo em torno do risco de um Super El Niño, fenômeno responsável pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que, consequentemente, potencializa o clima de acordo com a característica de cada região ou estado. Ou seja, no Sul, a previsão é de chuvas acima da média e, no Nordeste e em outros estados vizinhos, seca severa. E a pergunta que não quer calar: Estamos preparados? Conforme o estudo nominado Avanços da Governança Climática Subnacional no Brasil, 14,8% dos estados possuem Planos de Ação Climática completos e mais de 50% dos municípios brasileiros têm baixa capacidade de gestão de riscos e desastres. Na região Sul, especificamente, 66,7% contam com estratégias climáticas e 33,3% contam com planos de mitigação, adaptação e contingência. O NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), agência científica do governo norte-americano que monitora oceanos, atmosfera e clima, elevou para 93% as chances de o El Niño ficar muito forte nos próximos meses.


Recuperação judicial

O sinal amarelo virou vermelho para o agronegócio brasileiro. O endividamento de produtores e empresas do setor continua avançando e, pelo que mostra o mais recente Monitor RGF-Bizdoc, a situação pode ficar ainda mais crítica em 2027. Ao final do primeiro semestre deste ano, eram 1.263 CNPJs de agricultores em recuperação judicial. O número representa uma alta de 21,4% em relação ao fim de 2025 e impressionantes 66% acima do registrado no primeiro semestre do ano passado. A diferença também chama atenção quando comparada ao levantamento anterior: no primeiro trimestre, eram 539 recuperações judiciais no setor. O salto, porém, tem uma explicação importante: a nova edição passou a incluir também os microempreendedores rurais.


Faca de dois gumes

O mercado do boi gordo está com o pasto verde para novas altas. Ao colunista, Lindonez Rizzotto, presidente da Padrão Beef, afirma que o cenário aponta para uma valorização forte e aposta que a arroba pode passar dos R$ 360, especialmente no quarto trimestre deste ano. Para ele, a exportação de animais vivos é uma faca de dois gumes. De um lado, coloca mais dinheiro no bolso do produtor. De outro, aperta o caixa dos terminadores, que enfrentam dificuldade para repor o gado destinado ao confinamento. “Isso terá um preço. Só não sabemos quando essa ‘conta’ vai chegar”, alerta. Enquanto isso, mesmo com a China pisando no freio, o Brasil segue firme no mercado externo e já responde por mais da metade da carne importada pelas Filipinas.


Nova descoberta

Pesquisadores da Embrapa identificaram bactérias diazotróficas nas raízes de algodão arbóreo capazes de transformar nitrogênio do ar em nutrientes para o algodoeiro herbáceo. A tecnologia promete reduzir custos com adubos químicos e diminuir impactos ambientais na lavoura. A bactéria presente na raiz do algodão faz de graça parte do serviço da ureia, só que a conta cheia dessa independência só chega lá na frente. A descoberta representa um importante passo para o desenvolvimento de bioinsumos que poderão ser empregados nas lavouras de algodão e outras culturas, seja para cultivo orgânico, seja para reduzir a dependência dos adubos químicos importados.


Contra o protecionismo

O Senado deu uma boa notícia para quem vive da terra: aprovou o PL 699/23, que cria o Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes) e prevê até R$ 10 bilhões em subsídios, ao longo de cinco anos, para novas fábricas de fertilizantes ou a modernização das que já estão na ativa. A ajuda virá por créditos fiscais de tributos federais. No campo, a medida foi bem recebida. Afinal, cerca de 85% do adubo usado nas lavouras brasileiras ainda vem de fora. É um passo importante para reduzir essa dependência e deixar o produtor menos refém do mercado internacional.