08 de janeiro de 2026

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Paranaense de 25 anos morre na guerra da Ucrânia a um mês do fim do contrato

Natural de Curitiba, Gustavo Mazzocato atuava na região de Donbass e havia pedido ajuda para retornar ao Brasil, segundo a família

Paranaense de 25 anos morre na guerra da Ucrânia a um mês do fim do contrato
© Divulgação

O paranaense Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, morreu durante a guerra na Ucrânia, cerca de um mês antes do fim do contrato de experiência firmado com as forças ucranianas. A informação foi confirmada no domingo (4) pelo comandante da unidade em que ele atuava, a 60ª Brigada da Ucrânia, conforme relato da família.

Gustavo era natural de Curitiba e estava na Ucrânia há alguns meses. Ele deixou o Brasil enquanto mantinha um relacionamento de cinco anos com a esposa, Rafaela Alves, com quem tinha um filho de três anos. No período em que Gustavo esteve no exterior, Rafaela residia em Brasília, junto da criança.

De acordo com a família, o jovem passou a demonstrar arrependimento pouco tempo após chegar ao país europeu. Apenas seis dias depois do desembarque, em 27 de julho de 2025, Gustavo enviou um e-mail à Embaixada do Brasil, solicitando ajuda urgente para retornar ao país. Segundo familiares, ele acreditava que sua atuação seria em funções de apoio, mas acabou sendo designado para missões de combate direto, o que teria aumentado o medo e a insegurança.

Durante a missão, o contato com a família ocorria de forma indireta, por meio de um oficial responsável pelas comunicações. As atualizações eram frequentes, com notícias ao menos uma vez por semana. No entanto, na última semana antes da confirmação da morte, não houve retorno.

O último contato com a família aconteceu na madrugada de 29 de dezembro, por volta das 4h50, quando mensagens de áudio foram encaminhadas por um oficial. Na ocasião, Gustavo demonstrava expectativa de retornar ao Brasil, mencionando que o contrato estava próximo do fim e reforçando a saudade da família, especialmente dos avós.

A confirmação da morte ocorreu dias depois, após a esposa procurar diretamente o comando da brigada. Segundo o relato recebido, Gustavo morreu durante uma missão na região de Donbass, uma das áreas mais afetadas pelo conflito entre Ucrânia e Rússia.

O caso chama atenção para os riscos enfrentados por brasileiros que atuam em zonas de guerra no exterior e levanta questionamentos sobre os processos de recrutamento, as condições reais de atuação e o suporte oferecido a estrangeiros em conflitos armados.

/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação

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