11 de janeiro de 2026

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Simepar classifica tornado que atingiu São José dos Pinhais na categoria F2 da Escala Fujita

Tornado pode ser categorizado como F2, que tem ventos entre 180 km/h e 253 km/h.

Simepar classifica tornado que atingiu São José dos Pinhais na categoria F2 da Escala Fujita
© Divulgação/Sanepar

O tornado que atingiu o bairro Guatupê, em São José dos Pinhais, no fim da tarde de sábado (10), foi classificado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) como de categoria F2 na escala Fujita, que vai até 5. O trabalho do Simepar concluiu que, dentro da escala Fujita, o tornado pode ser categorizado como F2, que tem ventos entre 180 km/h e 253 km/h. Ele atingiu os valores mais baixos desta categoria, mas ainda assim causou danos expressivos  Como comparação, o tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Sudoeste, em novembro, foi classificado como F4, na penúltima lista de intensidade da Escala Fujita.  A análise das equipes de geointeligência e de meteorologia da instituição foi encerrada no início da tarde deste domingo (11).

De acordo com a Defesa Civil Estadual, o tornado de sábado atingiu 350 residências e impactou 1,2 mil pessoas. Duas pessoas ficaram levemente feridas. Neste domingo, a Defesa Civil Estadual encaminhou para São José dos Pinhais 2,6 mil telhas para ajudar as famílias atingidas. Além dos danos às edificações, o tornado provocou queda de árvores e problemas na rede e distribuição de energia elétrica, exigindo a atuação conjunta de diversos órgãos

No sábado (10) o tempo estava bastante instável no Paraná, com muita oferta de calor e umidade, e impactado por um sistema de baixa pressão que se formou entre o Uruguai e  Rio Grande do Sul, mas que se deslocou para o oceano. A mudança dos ventos em altitude também favoreceu a ocorrência de pancadas de chuva e tempestades em toda a faixa Leste do Paraná.

“A célula de tempestade mais severa se desenvolveu no fim da tarde sobre Almirante Tamandaré e Colombo, se deslocou sobre Curitiba provocando ventos intensos e precipitação de granizo, e foi até São José dos Pinhais”, explica Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar. 

Na estação meteorológica do Simepar, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba, as rajadas de vento chegaram a 56,5 km/h no fim da tarde de sábado, mas em outros bairros estações meteorológicas da Prefeitura registraram valores mais altos: 67,7 km/h no Boqueirão, 66,2 km/h no Pinheirinho, 68 km/h no Portão e 59 km/h em Santa Felicidade. 

No aeroporto de São José dos Pinhais, as rajadas de vento chegaram a 68 km/h. No bairro Guatupê, bem na divisa com o município de Piraquara, o tornado se formou dentro dessa célula de tempestade, e percorreu pouco mais de um quilômetro. 

“Foi um tornado relativamente estreito, pequeno em extensão horizontal, mas que provocou danos significativos aqui na região. Em alguns momentos a nuvem funil tocava o solo, sua circulação interagia com o solo configurando o tornado, e em outros momentos ela subia e o dano não era identificado. Ou seja, os danos foram pontuais”, detalha Leonardo.

A mesma célula de tempestade ainda seguiu o trajeto até o Litoral paranaense, ocasionando forte tempestade na região de Guaratuba e Matinhos. Em Guaratuba as rajadas de vento também ultrapassaram os 60 km/h, e o acumulado de chuvas passou de 60 mm em menos de meia hora. 

CLASSIFICAÇÃO - Assim que a célula de tempestade severa com possível formação de tornado foi identificada pelos meteorologistas de plantão do Simepar, a análise teve início. Dados do radar meteorológico que fica sobre o prédio do Simepar, em Curitiba, foram consultados, assim como dados de radares que ficam em estados vizinhos e abrangem a região Leste do Paraná. 

O meteorologista Reinaldo Kneib foi até São José dos Pinhais ainda na noite de sábado para analisar os primeiros impactos do tornado. Ele registrou imagens e o grupo de meteorologistas de Curitiba iniciou os debates de classificação. Na manhã de domingo (11), os meteorologistas Leonardo Furlan e Júlia Munhoz, além da gerente de Geointeligência Elizabete Bugalski, retornaram ao bairro.

Elizabete sobrevoou a região afetada com o drone do Simepar que é equipado com um sensor Lidar, utilizado para mapeamentos. As imagens foram fornecidas para o time de meteorologia e para a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Leonardo e Júlia percorreram a pé todo o trajeto feito pelo tornado, conversando com moradores e analisando os objetos arremessados e danos ocasionados nas estruturas e vegetação. 

“Esse tornado foi bem documentado pela população. Várias pessoas gravaram vídeos, o que facilitou bastante para determinar a trajetória dele antes mesmo de vir para a cidade. Ele percorreu uma trajetória de nordeste para sudoeste do município, começando no extremo norte de São José dos Pinhais, próximo à divisa com Piraquara e perto de Pinhais, e deslocou até chegar à rua do Girassol, no Guatupê”, explica Júlia Munhoz, meteorologista do Simepar. 

De acordo com ela, a presença do meteorologista no local da ocorrência é fundamental para a melhor compreensão do fenômeno. “Encontramos a população se movimentando em prol da reconstrução das casas que foram danificadas. Conversamos com a população, observamos quais objetos voaram de onde para onde, se teve mais destelhamento, se teve mais danificação estrutural, ou como que a vegetação ficou. Isso tudo é muito importante para a classificação ocorrer da maneira mais precisa possível”, ressalta Júlia. 

Este já é o segundo tornado de 2026. O primeiro foi classificado como F1 na escala Fujita no município de Mercedes, com ventos de aproximadamente 120 km/h no fim da tarde do dia 01, causando danos na localidade de Arroio Guaçu.

/AEN - Foto: Divulgação/Sanepar

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