17 de janeiro de 2026

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Duplicação da BR-163 entre Cascavel e Marmelândia tem previsão de conclusão apenas em 2029 após mais de uma década de impasses

Trecho estratégico para o Oeste e Sudoeste do Paraná entra em nova fase com concessão da EPR Iguaçu, enquanto pedágio e atrasos seguem no centro do debate regional.

Duplicação da BR-163 entre Cascavel e Marmelândia tem previsão de conclusão apenas em 2029 após mais de uma década de impasses
© Divulgação

A duplicação da BR-163 no trecho entre Cascavel e Marmelândia, distrito de Realeza, começa a ganhar um novo horizonte após mais de dez anos marcados por atrasos, paralisações, denúncias e mudanças de gestão. A obra, iniciada ainda em 2014, passou a ser de responsabilidade da concessionária EPR Iguaçu, que assumiu oficialmente o Lote 6 do novo pedágio do Paraná em meados de 2025. De acordo com o cronograma contratual, a entrega das melhorias está prevista a partir do quarto ano de concessão, o que projeta a conclusão por volta de 2029.

O segmento é considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola do Oeste e do Sudoeste do Paraná e integra um corredor logístico fundamental que conecta o Sul aos estados do Centro-Oeste e às fronteiras com Paraguai e Argentina. Mesmo com essa relevância econômica, a duplicação se transformou em uma longa novela administrativa e financeira. O contrato original previa cerca de 74 quilômetros duplicados e conclusão até 2018, mas, passados mais de dez anos, aproximadamente 17 quilômetros seguem sem obras finalizadas, apesar de investimentos públicos superiores a R$ 743 milhões.

O histórico do projeto revela sucessivas dificuldades. Desde a assinatura do contrato, a duplicação atravessou quatro governos federais, de Dilma Rousseff a Luiz Inácio Lula da Silva, sem que o cronograma fosse cumprido. A empresa inicialmente responsável, Sanches Tripoloni, teve o contrato rescindido pelo DNIT em 2022 após paralisações e divergências contratuais. Paralelamente, auditorias da Controladoria-Geral da União apontaram prejuízos superiores a R$ 60 milhões relacionados a sobrepreço e superfaturamento, o que reforçou a necessidade de revisão do modelo de execução da obra.

A situação começou a mudar com o leilão do Lote 6 das rodovias do Paraná, realizado em dezembro de 2024. A EPR Iguaçu foi a única concorrente e venceu com desconto de 0,08% sobre a tarifa básica. O contrato de concessão tem duração de 30 anos e abrange 662 quilômetros de rodovias federais e estaduais, incluindo trechos das BR-163 e BR-277, além de rodovias estaduais estratégicas para a região. Em resposta à reportagem do jornal O Paraná, a concessionária informou que a duplicação entre Cascavel e Marmelândia está incluída no pacote de investimentos obrigatórios e que caberá à empresa elaborar os projetos executivos e implantar as obras conforme os prazos estabelecidos em contrato.

Além da duplicação, o contrato também prevê a construção do Contorno de Lindoeste, com conclusão estimada para o quinto ano de concessão, por volta de 2030. A intervenção é considerada relevante para a reorganização do tráfego urbano e para a melhoria da segurança viária em um ponto de grande fluxo de veículos pesados.

Outro aspecto que vem gerando atenção regional é a implantação de uma praça de pedágio em Lindoeste em um trecho ainda não totalmente duplicado. O modelo adotado será o free flow, sistema eletrônico de cobrança automática sem cabines físicas. Mesmo com a proposta tecnológica, a tarifa estimada figura entre as mais elevadas do Lote 6 e pode chegar a aproximadamente R$ 18,26, segundo projeções da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, considerando correções inflacionárias e o desconto mínimo ofertado no leilão. A concessionária informou que os valores foram definidos pelo Poder Concedente e seguem critérios contratuais vinculados às etapas de entrega das obras.

O contrato do Lote 6 prevê cerca de R$ 20 bilhões em investimentos ao longo da concessão. Entre as intervenções programadas estão a duplicação integral dos trechos concedidos da BR-163, implantação de vias marginais, construção de dispositivos de interseção, passarelas, passagens de fauna, correções de traçado e ações voltadas à ampliação da segurança viária. Para a população e o setor produtivo da região, o novo cronograma representa a retomada da expectativa de conclusão de uma obra aguardada há mais de uma década, agora sob responsabilidade da iniciativa privada e com prazos definidos em contrato.

/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação

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