Ação sobre violência contra a mulher leva conscientização às pessoas privadas de liberdade, em Cascavel
Promovida pelo Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Wilson Antonio Neduziak, a atividade teve como destaque uma palestra conduzida pela equipe do Núcleo Maria da Penha....
A Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro - Unidade de Progressão (PIMP – UP), em Cascavel, foi palco de uma importante ação educativa voltada à conscientização sobre a violência contra a mulher. Realizada nesta quarta (18) e quinta-feira (19) de março, a iniciativa envolveu mais de 150 homens privadas de liberdade, todos alunos da escola da unidade, e integrou uma programação interdisciplinar desenvolvida ao longo de todo o mês, em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
Promovida pelo Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Wilson Antonio Neduziak, a atividade teve como destaque uma palestra conduzida pela equipe do Núcleo Maria da Penha (Numape), da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – campus Cascavel. O encontro proporcionou reflexões sobre aspectos legais, sociais e culturais da violência de gênero, além de estratégias de prevenção e responsabilização.
A professora Ana Paula de Souza Formighieri, uma das idealizadoras da proposta, ressaltou a relevância de abordar o tema diretamente com o público privado de liberdade. “É de suma importância conversar sobre violência contra a mulher justamente com homens que cometeram este tipo de violência. Ações educativas como estas tratam o problema na sua raiz, ajudando no processo de conscientização e reinserção social”, afirmou.
Na mesma linha, o professor Fabiano Lombardi, que também atuou no desenvolvimento do projeto, destacou o impacto do debate em um ambiente predominantemente masculino. “O fato do público ser masculino torna o tema ainda mais relevante, já que a cultura da violência pode, muitas vezes, ser naturalizada nesses meios”, pontuou.
Durante os encontros, os participantes foram convidados a refletir sobre comportamentos, responsabilidades individuais e os ciclos de violência presentes nas relações sociais.
A coordenadora do Numape, Solange de Fátima Reis Conterno, reforçou a importância da atuação educativa dentro e fora do sistema prisional. “Mesmo com o avanço das redes de proteção, ainda vemos casos de violência contra a mulher acontecendo. A atuação punitiva, por si só, não tem sido suficiente. Por isso, investir em educação e conscientização é fundamental para prevenir novos casos e promover mudanças reais de comportamento”, destacou.
Ela também chamou atenção para a necessidade de reconhecer as diferentes formas de violência. “Muitas vezes, os agressores não percebem a natureza violenta de seus atos, porque cresceram em contextos onde esse comportamento foi naturalizado. A violência não é apenas física — ela também é psicológica, moral e patrimonial, e pode começar de forma sutil, dentro das relações cotidianas”, explicou.
Segundo a diretora do Ceebja, Ingrids Mathias Vieira, a ação reforça o papel transformador da educação no ambiente prisional. “A educação tem um papel fundamental na construção de valores e na formação cidadã. Promover reflexões sobre respeito e responsabilidade nas relações humanas também faz parte do trabalho da escola. Parcerias como essa com o Núcleo Maria da Penha fortalecem esse processo dentro da unidade”, afirmou.
Além das palestras, o tema foi trabalhado de forma interdisciplinar em sala de aula ao longo do mês de março, envolvendo diferentes disciplinas e promovendo um ambiente contínuo de reflexão. A proposta foi ampliar o entendimento dos alunos sobre as dinâmicas da violência de gênero e estimular mudanças de comportamento a partir do conhecimento.