13 de abril de 2026

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Projeto Opaná entra em nova fase e amplia atuação junto às comunidades Guarani no Paraná

Nova fase do projeto Opaná amplia presença em comunidades Guarani e consolida política pública baseada na escuta, no protagonismo indígena e no cuidado com os territórios...

Projeto Opaná entra em nova fase e amplia atuação junto às comunidades Guarani no Paraná
© Fábio Conterno

Encerrada em março, a primeira etapa do projeto Opaná: Chão Indígena não marca um fim, mas a continuidade de um processo construído junto às comunidades Guarani da região Oeste e do litoral do Paraná. A partir de abril, a iniciativa inicia uma nova fase, com duração de mais três anos, ampliando sua atuação e aprofundando o trabalho já realizado nos territórios.

Desenvolvido pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD), em parceria com a Itaipu Binacional, o projeto integra um conjunto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos povos indígenas, com foco na promoção da autonomia, da segurança alimentar e do cuidado com os territórios. A iniciativa mantém como base o diálogo direto com as comunidades, orientando suas ações a partir de seus saberes e das realidades locais.

É por meio da escuta que começam a ser definidos os primeiros passos do projeto: a partir de abril, começam a ser construídos os Planos Comunitários, encontros realizados nas comunidades em que famílias, lideranças e jovens apresentam suas demandas, prioridades e perspectivas.

A proposta é que as ações do projeto sigam sendo construídas de forma participativa, respeitando os modos de vida e fortalecendo o protagonismo das comunidades e pessoas indígenas na definição dos caminhos a serem percorridos ao longo desta nova etapa.

O início do ciclo também foi marcado por um encontro de integração entre a área gestora de Itaipu e a equipe técnica da FLD, momento que alinhou estratégias e consolidou o planejamento das ações para os próximos anos. O encontro reforça a continuidade da parceria e o compromisso com uma atuação próxima aos territórios.

A nova fase chega também com ampliação do alcance. A expectativa é atender cerca de 40 comunidades indígenas na Mesorregião Oeste e na Região Metropolitana de Curitiba, envolvendo aproximadamente 1.150 famílias do povo Guarani — entre Avá e Mbya. Parte desse crescimento está relacionada ao processo de aquisição de áreas pela Itaipu Binacional, voltado ao reassentamento de comunidades que vivem em áreas de retomada desde a formação do lago da usina, na década de 1980.

Com isso, o projeto passa a acompanhar não apenas a continuidade das ações já desenvolvidas, mas também novos processos de organização comunitária em territórios recém-estabelecidos.

Na prática, a nova etapa mantém e amplia frentes de atuação que já vinham sendo desenvolvidas. Entre elas, a assistência técnica indigenista com foco em práticas agroecológicas, o fortalecimento dos Sistemas Indígenas de Produção Agroecológica (SIPAs) e o incentivo a iniciativas de geração de renda e organização comunitária.

O projeto também segue investindo em ações de educação antirracista voltadas ao público não indígena, promovendo atividades com escolas, universidades e serviços públicos, além de fortalecer iniciativas culturais por meio de encontros, rodas de conversa e trocas de saberes entre comunidades.

A expectativa é que, ao longo dos próximos três anos, o projeto Opaná: Chão Indígena beneficie diretamente cerca de 4.300 pessoas e alcance, de forma indireta, um público ainda mais amplo, por meio de ações de formação, mobilização e comunicação.

Os resultados da primeira etapa — como o fortalecimento das redes comunitárias, a ampliação da produção e a valorização dos conhecimentos tradicionais — servem como base para este novo momento. Desta forma, o Opaná se consolida como um processo contínuo, construído em diálogo com o povo Guarani e orientado pelo cuidado com a vida, com os territórios e com as relações comunitárias.

/Luiz Felipe Max - Foto: Fábio Conterno

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