13 de julho de 2026

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Ativos digitais entram em nova fase de regulação e exigem cautela de investidores

Com maior controle sobre empresas do setor, análise prévia das operações se torna essencial para reduzir riscos no mercado cripto...

Ativos digitais entram em nova fase de regulação e exigem cautela de investidores
© Divulgação

Criado com a proposta de descentralizar transações financeiras e reduzir a dependência de intermediários tradicionais, o mercado de criptoativos ganhou espaço nos últimos anos entre investidores, empresas e plataformas digitais. O que começou com a negociação de moedas virtuais, como o bitcoin, avançou para um ecossistema mais amplo, que envolve ativos digitais, tokens, stablecoins e serviços de intermediação e custódia. 

Esse crescimento já aparece no comportamento dos investidores: segundo pesquisa da ANBIMA em parceria com o Datafolha, divulgada em abril de 2026, as moedas digitais estão presentes na carteira de 4% da população, acima das ações, citadas por 2% dos entrevistados. Para 2026, 6% dos brasileiros consultados afirmaram que pretendem investir em criptomoedas.

O tema voltou ao centro das discussões com a Resolução BCB nº 580, publicada em 1º de julho pelo Banco Central. A norma enquadra as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais como instituições do Tipo 3 e determina que, a partir de 1º de janeiro de 2027, elas estejam submetidas a exigências prudenciais relacionadas ao gerenciamento de riscos, à estrutura de capital e à divulgação de informações.

Para o Dr. Alex Gallio, advogado do Boschirolli & Gallio Advogados Associados, escritório especializado em Ativos Digitais, a mudança representa um avanço para a organização do setor, mas não elimina a necessidade de análise por parte do investidor. “A regulação tende a trazer mais parâmetros para a atuação das empresas, mas não deve ser interpretada como garantia de rentabilidade ou ausência de risco”, explica.

Regulação não elimina riscos

A Lei nº 14.478/2022 estabeleceu diretrizes para a prestação de serviços de ativos virtuais no país, enquanto o Banco Central passou a ter competência para regular e supervisionar esse mercado. Com isso, plataformas que atuam com intermediação, negociação ou custódia de criptoativos passam a operar em um ambiente de maior exigência regulatória.

Segundo o advogado, o investidor precisa olhar além da possibilidade de valorização. “ É necessário avaliar quem está por trás da plataforma, como ocorre a custódia dos ativos, quais documentos comprovam a operação e quais são os riscos jurídicos e financeiros envolvidos”, explica.

Cuidados antes de investir

Comprovantes de transferência, contratos, extratos, registros de negociação e comunicações com a empresa podem ser importantes caso seja necessário questionar uma operação ou apurar responsabilidades. “O investidor também deve redobrar a atenção diante de promessas de retorno rápido, rentabilidade garantida, grupos fechados de investimento”, explica o advogado.

Para o Dr. Alex, a popularização dos ativos digitais exige uma postura mais cautelosa: “O mercado digital criou novas oportunidades, mas também novas formas de exposição patrimonial. Antes de investir, é preciso verificar a regularidade da operação, entender os riscos e manter todos os documentos relacionados à aplicação. Com o avanço da regulação, o mercado de ativos digitais tende a se tornar mais estruturado e sujeito a mecanismos de controle. Ainda assim, a decisão continua sendo do investidor, que deve avaliar não apenas o potencial de retorno, mas também a segurança, a transparência e a proteção patrimonial envolvidas na operação”, finaliza.

/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação


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