Maio Amarelo: você sabia que as crianças correm mais riscos no trânsito do que os adultos?
O tema foi debatido hoje, em "live" dos educadores de trânsito da Cettrans/Transitar...
Por que as crianças correm mais riscos no trânsito do que os adultos? Esta pergunta motivou o debate realizado nesta manhã (14) entre a coordenadora da Educação de Trânsito, Luciane de Moura, e o agente educador de trânsito, Clayton Palhares, da Cettrans/Transitar, pelas redes sociais oficiais da Prefeitura de Cascavel. Eles esclareceram dúvidas de internautas e falaram sobre as percepções e as reações da criança no trânsito, as quais são diferentes, se comparadas às do adulto.
Luciane citou o autor Rozestraten, segundo quem a criança tem dificuldade de se virar sozinha no trânsito; os pequenos têm menos noção de avaliar a distância, o tempo e a velocidade, o que compromete a condição numa travessia de via por exemplo. Para elas, ainda, vida e morte são brincadeiras, por isso não temem morrer. Além disso, devido à estatura, a criança não percebe o que está acima dos automóveis estacionados, não sendo também vista pelos motoristas. “Ela se sente protegida na companhia de adultos e costuma imitá-los”, afirma o autor de “A psicopedagogia do trânsito”.
Em 2017, o site Criança Segura trouxe uma estatística preocupante de 1.190 óbitos de crianças no trânsito naquele ano, o que representa um índice de 33% de óbitos por acidentes de trânsito, seguido de afogamento (26%) e sufocação (21%). Segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) “crianças e adolescentes brasileiros têm direito à vida, ao respeito, à dignidade, à saúde, de ir, vir e estar com segurança em locais públicos”, então a dúvida é com trabalhar o trânsito com as crianças?.
A proposta debatida nesta manhã (14) é a de refletir sobre o trânsito como tema transversal na escola, incorporando aos currículos e às propostas pedagógicas a abordagem de temas contemporâneos, que afetam a vida humana em escala local, regional e global, preferencialmente de forma transversal e integradora. Luciane de Moura enfatizou que isso implica “articular os conteúdos das disciplinas curriculares com os conteúdos que tratam da segurança nas vias, de maneira abrangente e integrada, de forma que as crianças possam ser cidadãos ativos e capazes de conhecer e praticar seus direitos e deveres com responsabilidades”.
Em 2009, o indicativo dos Parâmetros Curriculares Nacionais, publicado pelo Denatran por meio da Portaria 147, traz as Diretrizes Nacionais da Educação para o Trânsito, cujo texto estabelece que o trânsito deve ser trabalhado de maneira transversal na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Conforme as Diretrizes Nacionais da Educação para o Trânsito no ensino fundamental, os conteúdos relacionados ao trânsito são distribuídos de maneira que do 1º ao 5º ano são trabalhados “Os lugares; a cidade; o direito de ir e vir” e do 6º ao 9º ano enfatiza-se “As linguagens do trânsito; a segurança no trânsito e convivência social no trânsito”.
“A transversalidade pode ser a solução para a aplicação do tema trânsito nas escolas, pois as aulas serão ministradas pelos professores da grade curricular, ou seja, por profissionais que possuem a didática para trabalhar com crianças e adolescentes”, reforça Luciane de Moura.
Também o Código de Trânsito Brasileiro tem um capítulo específico para a Educação de Trânsito. O capítulo VI, que no artigo 76 enfatiza: “A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus”.
Cascavel, uma cidade voltada à Educação de Trânsito
A Cettrans/Transitar investe em permanente Educação de Trânsito, não apenas para crianças e adolescentes, mas para todas as idades. No caso dos pequenos, vários projetos são realizados como o Rua Segura; o Pé na Faixa; o projeto Pequeno Educador de Trânsito; o Projeto Criança Segura; Escola de Trânsito Pedrinho e Rafa, entre outros. Eles estão interrompidos na prática devido à pandemia do coronavírus, mas fazem parte da educação de nossas crianças nas escolas.
Em 30 escolas, o Município projetou faixas elevadas e toda a sinalização para o Rua Segura, visando aos cuidados de estudantes, professores, servidores e demais membros da comunidade escolar na travessia no entorno das escolas. A equipe da Cettrans/Transitar iniciou o trabalho educativo em março, contudo, teve de interromper devido às restrições da Covid-19. A ação é aliada ao Projeto Criança Segura, que inclui abordagem em frente às instituições de ensino para conversar com pais orientando sobre o uso correto dos equipamentos, sempre com reforço nas campanhas de Volta às Aulas.
O Projeto também é paralelo ao Pé na Faixa e ao Pequeno Educador de Trânsito; o primeiro orienta o pedestre a utilizar a faixa para a travessia da via em segurança e, em consequência, os condutores a parar o veículo, projeto realizado desde 2010 pela Cettrans; e o Pequeno Educador de Trânsito, o qual é desenvolvido em sala de aula com os alunos o tema trânsito, que após sorteio, dois deles se tornam "agentes de trânsito", passando um meio dia acompanhando o trabalho da fiscalização de trânsito e, depois, repassando a vivência para os demais colegas da classe.
Na Educação Infantil o trabalho requer uma metodologia adequada à faixa etária, de acordo com o conteúdo que se está abordando, de maneira mais lúdica. “Contudo, é muito importante incluir o tema desde muito cedo na vida da criança e também o fazer junto, acompanhado e dando o exemplo. Os equipamentos de segurança são muito importantes nessa fase, para que ela incorpore o assunto no dia a dia, tanto com os pais como com os educadores”, reforça Luciane.
A criança e o Maio Amarelo
Durante o debate, Luciane e Palhares responderam às questões sobre a presença da criança no trânsito, o uso correto da cadeirinha, como estimular a criança a permanecer no equipamento de segurança, no cinto e sobre a conscientização dos pais acerca os riscos de transportar a criança na motocicleta.
“O tema deste ano - “Perceba o Risco, proteja a Vida” - é justamente um alerta para que todo condutor analise quais riscos deve evitar para se proteger; proteger quem amamos e a terceiros na via, pois sempre, no trânsito, temos que dar sentido para a vida”, reforçou Palhares.