13 de março de 2026

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Maio Amarelo: Você já parou para avaliar os custos e os impactos de um acidente de trânsito?

Em média, no Brasil, são aproximadamente R$ 290 milhões ao ano para salvar vítimas...

Maio Amarelo: Você já parou para avaliar os custos e os impactos de um acidente de trânsito?
© SOT

Quem paga a conta de um acidente? Quais os impactos que eles provocam na rede de atendimento hospitalar pública e na vida das pessoas acidentadas, dos familiares e da sociedade como um todo? Uma simples brincadeira de empinar uma moto pode custar caro para muita gente. Você já parou para pensar nisso? Essas perguntas tiveram respostas debatidas durante a “live” semanal do Maio Amarelo Digital, transmitida nesta manhã (21) pelas redes sociais oficiais da Prefeitura de Cascavel.

A mediadora do debate realizado entre a enfermeira da 10ª Regional de Saúde, Patrícia Monteiro, e a diretora da Vigilância em Saúde da Sesau, Beatriz Tambosi, foi a educadora de trânsito da Cettrans/Transitar, Luciane de Moura. Elas apresentaram uma reflexão acerca do impacto que os acidentes provocam em todo o sistema, desde a ocupação de leitos hospitalares, até as sequelas na vida de um acidentado, aos custos psicológicos na vida de um órfão de pai ou mãe, por exemplo.

Patrícia Monteiro apontou que, embora não se tenha como estimar a taxa de ocupação de leitos por acidentes de trânsito - pois a ocupação depende da gravidade da ocorrência que pode demandar desde UTI, leito cirúrgico ou clínico - é sabido que existe uma espécie de “epidemia” ocasionada pela negligência no trânsito, que onera o sistema público de saúde com ocorrências nas ruas e estradas, movimentando o setor de urgências e emergências.  Em média, 50% dos acidentados são motociclistas, condutores que sofrem graves lesões por estarem mais expostos ao trauma e à gravidade na colisão.

Estudo publicado ano passado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) aponta que em dez anos os acidentes de trânsito consumiram quase R$ 3 bilhões do SUS, com mais de 1,6 milhão de feridos. Segundo Patrícia, o custo médio para salvar vidas é de aproximadamente R$ 290 milhões ao ano no Brasil.

Fator humano é o principal causador

Beatriz Tambosi lembrou que o fator humano é o principal causador de ocorrências, que são, na verdade, problema de saúde pública, pois além de sobrecarregar os hospitais, oneram a previdência, e o atendimento psicossocial.

“Vítimas graves normalmente ficam com sequelas ou enfrentam tratamentos longos para reabilitação física e psicológica, necessitam de fisioterapia, medicação, curativos, além de ficarem afastadas do trabalho, afetando a vida familiar. Muitas vezes, até mesmo algum familiar acaba tendo de largar o emprego também para cuidar de um sequelado que acaba ficando na cama para o resto da vida. Há, ainda, o custo psicológico e emocional para uma família enlutada por perda de pessoas como um pai ou mãe que supriam o lar. São muitos os prejuízos embutidos num acidente, que nem sempre são avaliados na hora que assume-se o risco no trânsito”, refletiu Beatriz Tambosi.

As debatedoras alertaram para a necessidade de ampliar a conscientização de todos os cidadãos envolvidos no trânsito, uma vez que o ser humano é o fator essencial na prevenção de acidentes, o que vem ao encontro do tema deste Maio Amarelo “Perceba o Risco, Proteja a Vida”.

Por que as pessoas se envolvem em acidentes?

Por que as pessoas entram em rachas, empreendem velocidade, não respeitam a sinalização e tomam outras atitudes que levarão a ocupar leitos hospitalares e demandar investimentos públicos, além de afastar do trabalho por um bom tempo ou, tirar a vida delas ou de outros cidadãos? Muitos acidentes ocorrem com o fator humano como causa, por falta de atenção, excesso de velocidade, abuso de álcool tudo o que está associado à falta de consciência do próprio condutor.

“Eu sei que não posso beber e dirigir, eu sei que a velocidade máxima é 60 km/h, mas teimo em andar a 100km/h, então precisamos encontrar uma forma de assimilar a informação e de como fazer chegar esta informação. Mas muitas vezes, a pessoa só assimila pela dor, não pelo amor, depois de uma grande perda”, apontou Beatriz.

Também participou do debate a enfermeira da 10ª Regional Andreia Piana. Ela lembrou que existe uma subconsciência e a falsa sensação de segurança de que estamos imunes a doenças ou acidentes e, isso, faz com que nos expomos a riscos. “O que ocorre é que pessoas pensam que o Samu ou Siate é uma realidade distante, que só existe para atender os outros; até eu eles também se tornem vítimas. Por isso precisamos educar desde cedo nossas crianças, ainda na escola; nossos condutores na primeira habilitação, a tomaram consciência da realidade, pois além de grandes perdas, existe uma rede de atenção que precisa ser mobilizada para atender uma ocorrência, impactando todo um sistema de saúde, com reflexos econômicos, sociais e psicológicos, perda de renda. Em plena epidemia da Covid-19, quantos acidentes de motofretistas de delibery, que na pressa de trabalhar acabam afastados do trabalho por acidentes de trânsito?”.

/Via: Portal do Município de Cascavel - Foto: Divulgação

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