12 de janeiro de 2026

Cascavel

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Vivência no Japão influencia os rumos da Nipofest 2026 em Cascavel

Após imersão cultural e formativa no Japão, coordenação projeta uma oitava edição ainda mais alinhada aos valores da cultura nipônica...

Foto: Divulgação

Um dos eventos culturais e de turismo de experiência mais expressivos do interior do Paraná, a Nipofest chega à oitava edição conectada à essência da cultura nipônica. A mostra, que será realizada de 1º a 3 de maio, promete transformar o Centro de Convenções e Eventos de Cascavel em um pedacinho da Terra do Sol Nascente. Os preparativos já começaram.

A diretoria da Associação Cultural e Esportiva de Cascavel (ACEC) - idealizadora e organizadora do evento - e o grupo de trabalho da Nipofest se reuniram na última semana para alinhar as diretrizes da próxima edição. Durante o encontro, o coordenador geral da Nipofest, Vander Matsumoto, compartilhou os conhecimentos adquiridos ao longo de uma experiência formativa no Japão. 

Ele acaba de regressar do Curso de Formação de Coordenadores de Atividades Culturais Japonesas, promovido pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), órgão do governo japonês voltado à cooperação internacional e ao fortalecimento de comunidades nikkeis ao redor do mundo. Durante 40 dias ele participou de aulas na JICA Yokohama, na segunda maior cidade do país. 

A programação do curso reuniu uma abordagem ampla - que passou por história, política e economia japonesa, além do papel das comunidades nipodescendentes dentro e fora do Japão - com conteúdos práticos voltados à gestão cultural, captação de recursos, relacionamento com patrocinadores, planejamento estratégico e sustentabilidade financeira de associações culturais. A experiência incluiu ainda vivências ligadas a rituais tradicionais, como a cerimônia do chá, além de aspectos simbólicos da cultura japonesa, como o universo dos ninjas.

“Foi um aprendizado rico. Entendemos como os festivais japoneses são pensados, como dialogam com patrocinadores, voluntários e com a comunidade. Eles enfrentam desafios parecidos com os nossos, e foi muito importante trocar essas experiências”, resume Vander.

Essência

No Japão - um país marcado pelo enfrentamento constante de eventos naturais como tsunamis e terremotos -, os festivais fazem parte do cotidiano e celebram a vida. São mais de 300 mil eventos culturais realizados por ano, muitos deles ligados à religiosidade budista e xintoísta, uma herança que fez do povo japonês modelo de superação, organização e convivência. 

“Além da cultura, queremos trazer para a Nipofest os valores japoneses, pautados no respeito mútuo, na honestidade, no senso de coletividade, na disciplina, na pontualidade e no cuidado com o outro e com a natureza. Isso não depende de dinheiro, depende de escolha”, reflete.

Conhecimento aplicado

Esses conhecimentos começaram a ser incorporados ao planejamento da Nipofest e da própria ACEC. Um plano de ação já está em desenvolvimento, com foco não apenas na próxima edição do festival, mas também no fortalecimento da associação a longo prazo.

Entre os temas trabalhados estão a profissionalização de áreas do evento, a criação de manuais de processos, o uso de ferramentas tecnológicas, como sistemas cashless, e novas estratégias de arrecadação para garantir maior autonomia financeira da ACEC, reduzindo a dependência exclusiva do resultado da festa.

Outro ponto forte da formação foi o entendimento de como mangá, anime e cultura pop japonesa funcionam como porta de entrada para o público jovem e novos voluntários. “Eles valorizam muito isso. É uma linguagem que conecta gerações e amplia o alcance dos festivais”, detalha Vander.

Tradição, inovação e experiência

As novidades ainda estão guardadas a sete chaves, mas já é possível vislumbrar uma Nipofest equilibrando tradição e inovação, com oficinas, vivências culturais, apresentações artísticas e atividades interativas ganhando ainda mais espaço, sempre com foco na participação do público e no fortalecimento dos laços comunitários.

Danças tradicionais, música, vestimentas típicas, cerimônias culturais e experiências sensoriais fazem parte desse repertório que vem sendo cuidadosamente trabalhado. A proposta é que visitantes de todas as idades possam vivenciar a cultura japonesa de forma imersiva durante os dias do evento.

“O mais importante é a união, a participação de todos e a alegria coletiva. É isso que os festivais japoneses representam e é isso que queremos fortalecer aqui em Cascavel, construindo um legado que pode ser continuado pelas próximas gerações”, finaliza Vander.


Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação

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