31 de janeiro de 2026

Cascavel

Paraná

Comunidade Avá Guarani realiza manejo sustentável de piscicultura em tanque elevado no oeste do Paraná

Despesca parcial em tanques comunitários garante aproximadamente 250 kg de peixes para a alimentação de famílias da aldeia Aty Mirĩ, em Itaipulândia

Foto: Fabio Conterno/FLD

A comunidade indígena Avá Guarani da aldeia Aty Mirĩ, em Itaipulândia, realizou na última quarta-feira (28) uma atividade de manejo sustentável da piscicultura comunitária, com a despesca parcial de peixes criados em tanques elevados instalados no próprio território. A iniciativa integra o projeto Opaná: Chão Indígena, uma parceria entre a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e a Itaipu Binacional, e marca uma etapa na consolidação do sistema produtivo, voltado à segurança alimentar e à autonomia das comunidades indígenas do oeste do Paraná.

O cacique da aldeia Aty Mirĩi, Natalino Almeida, classificou a despesca como um momento de alegria coletiva. Para ele, o pirá — peixe em Guarani — tem valor simbólico e cultural profundo. “Sempre tivemos o sonho de produzir nosso próprio peixe para o consumo da comunidade. Hoje isso é realidade. Foi uma experiência que deu muito certo, deixou todo mundo feliz, e esperamos que esse projeto chegue a outras comunidades também”, afirma.

O projeto Opaná: Chão Indígena prevê a implantação de dez sistemas produtivos comunitários de piscicultura em territórios Avá Guarani da região. Cada unidade conta com quatro tanques de cultivo e um tanque reservatório, operando com baixa renovação de água — modelo que reduz o consumo hídrico e os impactos ambientais.

Segundo o coordenador do projeto pela FLD, Jhony Luchmann, a metodologia adotada reflete o cuidado das comunidades indígenas com a preservação ambiental e com práticas produtivas sustentáveis. “A produção em tanques elevados, além de facilitar o manejo, permite o reaproveitamento da água e possibilita uma produção ambientalmente responsável. Isso contribui para que as comunidades tenham autonomia em todo o processo produtivo”, afirma.

A despesca parcial é um manejo que consiste na pesca seletiva, por meio de rede de arrasto, com a separação dos peixes conforme o tamanho. Nesta etapa, cerca de 700 peixes maiores (aproximadamente 250 kg) foram distribuídos entre as 70 famílias da comunidade, sendo destinados à alimentação comunitária. Os exemplares menores retornam aos tanques para a continuidade do crescimento, garantindo a continuidade da produção.

Para o gestor do Programa de Sustentabilidade Indígena da Itaipu Binacional, Paulo Porto, ações como essa fortalecem a autonomia e a soberania alimentar das comunidades Avá Guarani. “O projeto cumpre dois papéis fundamentais: entrega alimento produzido pela própria comunidade, contribuindo para reduzir a insegurança alimentar, e materializa o compromisso histórico da Itaipu com a reparação e o fortalecimento do povo Avá Guarani do oeste do Paraná”, destaca.

Cada tanque produtivo abriga, no mínimo, mil peixes, com variações conforme a espécie. O ciclo de cultivo pode variar de quatro a doze meses, respeitando o crescimento adequado de cada espécie nos tanques elevados. As espécies produzidas foram definidas em diálogo com a comunidade e incluem jundiá (Rhamdia quelen), lambari (Astyanax spp.), tilápia (Oreochromis niloticus) e carpa-capim (Ctenopharyngodon idella), esta última criada em consórcio com outras espécies.

Ao integrar conhecimentos tradicionais e técnicas sustentáveis de produção, a piscicultura comunitária fortalece a soberania alimentar, diversifica a dieta das famílias e amplia a autonomia indígena. “Estamos atendendo a uma demanda que vem das próprias comunidades: produzir peixe com respeito às suas culturas e modos de vida”, reforça Jhony Luchmann.

O projeto Opaná: Chão Indígena tem como foco a sustentabilidade alimentar e o fortalecimento cultural de comunidades indígenas localizadas no oeste e no litoral do Paraná. Atualmente, mais de 970 famílias Guarani (Avá e Mbya) participam da iniciativa, que também desenvolve ações de educação antirracista junto à população não indígena dessas regiões. 

Por: SOT/FLD - Foto: Fabio Conterno/FLD

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