03 de março de 2026

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CEAPAC reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce da perda auditiva em crianças

No Dia Mundial da Audição, a instituição reforça a importância da identificação precoce da perda auditiva, especialmente na infância, fase decisiva para o desenvolvimento da linguagem, da cognição e das habilidades sociais.

CEAPAC reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce da perda auditiva em crianças
© Divulgação

O CEAPAC (Centro de Atenção em Pesquisas em Anomalias Craniofaciais) é referência no atendimento multiprofissional a crianças com anomalias craniofaciais e atua de forma integrada na prevenção, diagnóstico e reabilitação de alterações auditivas. No Dia Mundial da Audição, a instituição reforça a importância da identificação precoce da perda auditiva, especialmente na infância, fase decisiva para o desenvolvimento da linguagem, da cognição e das habilidades sociais.

De acordo com o otorrinolaringologista Dr. Eduardo Sarolli, quanto mais cedo for identificada a perda auditiva, mais precoce também será o tratamento. “A perda auditiva impacta diretamente na aquisição da linguagem e é uma importante causa de atraso de fala, mas afeta também o desenvolvimento neurológico, cognitivo e social da criança”, destaca. 

Segundo o especialista, quando a alteração não é identificada nos primeiros meses de vida, a estimulação das vias auditivas e do próprio cérebro pode ficar prejudicada. “Se não houver diagnóstico e intervenção logo no início, essas vias podem não se desenvolver adequadamente, levando a atrasos e prejuízos que podem acompanhar a criança ao longo da vida”, explica.

Um dos principais aliados nesse processo é o Teste da Orelhinha, exame obrigatório em todas as maternidades do país. O teste funciona como uma triagem, ou seja, identifica quais crianças podem apresentar algum risco para alteração auditiva. “Um resultado alterado não significa necessariamente que a criança tenha perda auditiva, mas indica a necessidade de exames mais avançados para confirmação diagnóstica”, ressalta o médico.

Nos recém-nascidos e crianças de até dois anos, a maior parte das causas de perda auditiva é congênita, geralmente relacionada à predisposição genética. Após essa idade, as causas passam a ser, em sua maioria, adquiridas, sendo a principal delas a inflamação crônica do ouvido com acúmulo de secreção.


SINAIS DE ALERTA

A observação atenta dos marcos do desenvolvimento é fundamental. Até os três meses, o bebê deve reagir a estímulos sonoros, piscando, movimentando os braços ou demonstrando maior atenção. Aos seis meses, espera-se que localize sons com os olhos e mantenha foco auditivo. Por volta dos nove meses surgem os balbucios, e a partir de um ano, as primeiras palavras, como “mama” ou “papá”. Com um ano e meio, a criança já deve obedecer comandos simples e, aos dois anos, formar pequenas frases.

A fonoaudióloga Daniela Lopes reforça que a audição eficiente é essencial para o desenvolvimento da fala e da linguagem. “É por meio da escuta que a criança aprende a distinguir, compreender e reproduzir os sons, organizando progressivamente suas habilidades comunicativas”, afirma.

Ela alerta que, quando há perda auditiva sem acompanhamento fonoaudiológico precoce, podem ocorrer atrasos significativos no desenvolvimento da fala e da linguagem, com impactos escolares, sociais e emocionais que podem se prolongar por toda a vida. Entre os sinais de alerta estão atraso para balbuciar ou falar as primeiras palavras, vocabulário reduzido, trocas frequentes de sons e dificuldade em compreender comandos verbais.


A EXPERIÊNCIA DE QUEM VIVE ESSE CUIDADO

A história de Elizana Freitas e de seu filho Guilherme Dornelas, de 4 anos, representa a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo. Guilherme nasceu com fissura labiopalatina e a alteração auditiva foi identificada ainda no parto, “Ele escuta, mas percebo que do lado da fissura a audição é menor, é uma sensibilidade diferente”, relata a mãe. Atualmente, Guilherme realiza exames para avaliar a necessidade de colocação de tubo auditivo, com previsão de cirurgia para os próximos meses.

O acompanhamento fonoaudiológico tem sido fundamental no desenvolvimento de Guilherme. Moradora de Medianeira, Elizana destaca a importância do suporte contínuo. “Ele faz fono na minha cidade e também aqui. É de extrema importância, tanto para o desempenho na escola quanto para a convivência em casa e com outras crianças. Faz toda a diferença”, afirma. Além das sessões semanais, a família participa de atendimentos intensivos uma vez por ano e retorna à instituição a cada 15 dias, sempre que possível.

No CEAPAC, o trabalho com crianças que apresentam fissura labiopalatina associada à perda auditiva envolve avaliação especializada, encaminhamento para protetização quando necessário e intervenção precoce focada na estimulação auditiva e no desenvolvimento da fala e linguagem. A atuação é multiprofissional e conta com a participação ativa da família em todas as etapas do processo.

Neste Dia Mundial da Audição, o CEAPAC reforça que ouvir bem é essencial para aprender, se comunicar e se desenvolver plenamente. O diagnóstico precoce salva oportunidades e transforma futuros.

/Maria Klok - Foto: Divulgação

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