Feita por mãos voluntárias, decoração da Nipofest é mais um capítulo na tradição do evento
Equipe que trabalha desde janeiro confeccionando as peças que dão identidade ao festival intensificou os preparativos nesta semana
A oitava edição do maior festival regional da cultura nipônica está chegando e, para receber o público, um trabalho que orgulha a comunidade japonesa de Cascavel movimenta os bastidores do que será apresentado a partir do dia 1º de maio, no Centro de Convenções e Eventos, tudo com entrada gratuita.
Antes mesmo da abertura dos portões, uma equipe formada por diferentes gerações já dá forma à decoração. São voluntários que se reúnem em um processo que mistura trabalho manual, convivência e tradição. Nesta semana, os encontros passaram a ser diários, sempre à noite, na sede da Associação Cultural e Esportiva de Cascavel (ACEC), marcando a reta final de preparação. Na próxima semana, a ideia é ampliar os trabalhos também durante o dia e aos finais de semana.
“Temos uma equipe muito ativa, que aprende com as pessoas mais idosas. Vamos criando juntos, aos poucos, cada cenário, conforme o tema de cada edição. Nada vem pronto. Tudo é feito com dedicação e respeito ao conhecimento que vem de outras gerações”, explica Marlene Prechlak, responsável pelo departamento de decoração.
Se em 2025 o festival destacou os 130 anos da imigração japonesa, nesta edição o olhar se volta ao conceito de identidade. Com o tema “Imprimindo a marca do Japão em Cascavel”, a proposta dialoga com a ideia do hanko, que é o carimbo tradicional japonês e que funciona como assinatura pessoal e símbolo de pertencimento. Ele representa valores como respeito mútuo, compromisso, disciplina e autenticidade japonesa.
“A Nipofest traduz essa essência da coletividade acima do individual, além de valores milenares como disciplina, pontualidade e respeito à natureza. É isso que gostaríamos que a comunidade pudesse sentir e viver durante o evento e, de alguma forma, levar também para o dia a dia. Isso é muito presente no Japão”, pontua o coordenador da Nipofest, Vander Matsumoto.
Símbolos preservados
A partir dessa ideia, a decoração ganha elementos que ajudam a contar essa história. Pergaminhos e kanjis, que são ideogramas da escrita japonesa -, aparecem na ambientação, conectando o público à origem dessa expressão cultural.
Entre os símbolos tradicionais, estão os tsurus, pássaros feitos em dobradura de papel pela técnica do origami, que no Japão representam paz e longevidade. Também aparecem flores e referências às cerejeiras, árvore que simboliza a beleza dos ciclos e a passagem do tempo.
O resultado final é, na verdade, parte importante do processo essencial da experiência que os visitantes terão. E, enquanto é preparado, transforma momentos de troca e aprendizado.
“Temos senhoras no grupo que dominam as dobraduras e vão ensinando. É um momento de convivência intergeracional, envolvendo crianças, adultos e idosos. Todos participam com amor e, assim, vamos mantendo viva a tradição”, reforça Marlene.
Sobre a Nipofest
Com entrada gratuita, a 8ª Nipofest será realizada de 1º a 3 de maio, no Centro de Convenções e Eventos de Cascavel. Neste ano, o festival ganha um formato ampliado, com três dias de programação que reúnem gastronomia, apresentações culturais e atividades para diferentes públicos, levando à cidade um recorte da cultura japonesa e suas conexões com o Brasil.
Consolidada como parte do turismo cultural do Paraná, a Nipofest atrai visitantes de diversas regiões e reforça a presença da cultura japonesa na história e no desenvolvimento de Cascavel. Realizado pela Associação Cultural e Esportiva de Cascavel (ACEC), o evento nasceu em 2013, em uma estrutura simples na Praça da Catedral, e ao longo dos anos ganhou força, ampliou sua programação e passou a integrar os calendários oficiais do município e do Estado.
Serviço
Evento: 8ª Nipofest
Data: 1º, 2 e 3 de maio de 2026
Horários:
1º de maio: das 14h às 22h (abertura oficial às 14h30).
2 de maio: das 10h às 22h
3 de maio: das 10h às 21h
Local: Centro de Convenções e Eventos de Cascavel
Endereço: Rua Fortunato Bebber, 987 – Bairro Pacaembu
Entrada: gratuita