06 de maio de 2026

Cascavel

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Congelamento de embriões cresce 6% em Cascavel e mostra mudanças no planejamento da maternidade

Dados da Anvisa mostram avanço da reprodução assistida; mulheres acima dos 35 anos lideram busca por preservação da fertilidade...

Foto: Divulgação

O número de embriões congelados em Cascavel registrou crescimento de 6% em cinco anos. Segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o volume passou de 231 embriões congelados em 2020 para 245 em 2025.

O levantamento mostra que o perfil predominante entre as pacientes é formado por mulheres acima dos 35 anos, que optam por preservar a fertilidade para uma gravidez planejada em idade mais avançada. A estratégia tem sido cada vez mais utilizada por quem deseja adiar a maternidade, mas quer reduzir os riscos de dificuldades para engravidar no futuro.

Os números também indicam uma tendência mais ampla. Desde 2020, quando o SisEmbrio começou a consolidar os dados, o ano de 2024 registrou o maior volume de congelamentos de embriões na cidade, com 290 embriões congelados.

Para especialistas, o crescimento acompanha uma transformação estrutural da medicina reprodutiva no mundo. O Brasil hoje lidera a área na América Latina, concentrando cerca de 40% dos centros de reprodução assistida da região. Ao longo dos últimos 25 anos, aproximadamente 83 mil bebês nasceram no país por meio dessas técnicas, segundo dados consolidados por entidades do setor.

O médico Dr. João Guilherme Grassi, especialista em reprodução humana e integrante da equipe do Dr. Karam Abou Saab, pioneiro da fertilização in vitro no Paraná e responsável pelo primeiro bebê concebido por FIV no estado, afirma que a tecnologia deixou de ser uma exceção na medicina.

“Quando falamos em milhões de nascimentos no mundo e dezenas de milhares no Brasil, estamos diante de uma tecnologia incorporada à prática médica. Isso muda a forma como a sociedade enxerga a infertilidade e exige que o sistema de saúde passe a tratar a reprodução assistida como parte da assistência reprodutiva”, afirma.

Entre as histórias que ajudam a explicar o avanço da técnica está a da farmacêutica Miriam Prado, que conseguiu realizar o sonho da maternidade após recorrer à fertilização in vitro.

Portadora de lúpus, doença autoimune que pode comprometer a fertilidade e exige acompanhamento rigoroso durante a gestação, Miriam passou por dois tratamentos em momentos diferentes até engravidar.

“Tive dois tratamentos em períodos distintos. Na primeira vez não cheguei a engravidar, depois consegui um tratamento mais adequado para a minha condição de saúde. Desde o primeiro atendimento, na minha segunda tentativa, iniciei com injeções de hormônios, ajustamos com o médico o tratamento do lúpus e, em menos de um ano, consegui engravidar com um dos dois embriões que foram implantados”, relata.

Ao todo, foram gerados cinco embriões. Na primeira tentativa, dois foram implantados e Miriam chegou a engravidar, mas sofreu um aborto espontâneo. Na segunda tentativa, novamente com dois embriões, a gestação evoluiu.

“Inicialmente engravidei da minha filha, Maria Vitória. Um ano e meio depois implantamos o último embrião e nasceu meu filho, José Henrique. Tive a bênção de ter dois filhos pela FIV”, conta.

O médico alerta que agora o grande desafio é ampliar o acesso aos tratamentos.

“O próximo passo é integrar esses serviços às políticas públicas de saúde, garantindo que mais mulheres e casais tenham acesso ao tratamento, independentemente da condição financeira”, finaliza.

Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação

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