Com investimento de R$ 950, indústrias do Paraná acessam até R$ 1,6 milhão em fomento
Programa do Sesi Paraná oferece consultoria especializada para micro, pequenas e médias indústrias, além de apoio no acesso a financiamento e suporte técnico para aumentar ...
A competitividade já não se mede apenas em produtividade ou escala. Em linhas de produção espalhadas pelo Paraná, a sustentabilidade deixou de ser discurso e passou a influenciar negócios, acesso a mercados e decisões estratégicas. Grandes empresas exigem compromissos ambientais de seus fornecedores, por isso, pequenas e médias indústrias começam a reorganizar seus processos para não perder espaço e, ao mesmo tempo, descobrir novas oportunidades de crescimento.
Neste contexto, o Sesi Paraná estrutura o Programa Sesi Descarbonização, iniciativa que alia apoio técnico, acesso a financiamento e orientação prática para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) sem comprometer o desempenho econômico das empresas.
“Estamos falando de como a indústria, no seu processo produtivo, pode reduzir emissões e diminuir o seu impacto ambiental. E, ao fazer isso, também alcança ganho de produtividade e pode reduzir custos”, afirma Aline Calefi, gerente de Responsabilidade Social do Sesi.
Confira o edital completo aqui: https://t2m.io/inscricoes-descarbonizacao
Baixo investimento, alto potencial de retorno
Com contrapartida de R$ 950, o programa oferece uma jornada completa que inclui inventário de emissões, definição de metas, elaboração de planos de ação e apoio na busca por financiamento. Na prática, o valor funciona como porta de entrada para uma agenda que, tradicionalmente, exigiria alto investimento técnico.
Entre as oportunidades está a parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que prevê R$ 1,6 milhão para apoiar projetos de descarbonização. Além disso, empresas participantes ampliam suas chances de acesso a crédito, novos mercados e contratos com grandes players que já adotam critérios ambientais mais rigorosos.
Aline reforça: “esse programa é totalmente viável para micro, pequenas e médias indústrias e vai auxiliar a ganhar mercado, competitividade e, também, a resolver uma questão ambiental”.
Quando reduzir emissões significa um aumento de produtividade?
A descarbonização industrial não impacta apenas indicadores ambientais. Ela atua diretamente na eficiência dos processos produtivos. Estudos de instituições como a Empresa de Pesquisa Energética, a Agência Internacional de Energia e a Confederação Nacional da Indústria indicam que iniciativas voltadas à redução do consumo de energia e à otimização de recursos podem elevar a produtividade ao reduzir perdas operacionais e melhorar o desempenho dos sistemas produtivos.
Na prática, isso acontece porque a energia está no centro da operação industrial. Processos mais eficientes - seja por modernização de equipamentos, revisão de fluxos ou adoção de tecnologias mais limpas - tendem a produzir mais com menos insumos. Relatórios da Agência Internacional de Energia e da Agência Internacional de Energias Renováveis também apontam que a gestão inteligente de energia, associada à automação e à digitalização, contribui para otimizar o consumo energético e aumentar a eficiência operacional, especialmente no contexto da Indústria 4.0.
Esse movimento tem efeito direto sobre o custo por unidade produzida. Ao reduzir desperdícios energéticos e melhorar o uso de recursos, as empresas aumentam sua produtividade total, tornando-se mais competitivas sem necessariamente ampliar sua estrutura produtiva: um fator também destacado em análises do Banco Mundial sobre competitividade industrial.
“Quando falamos de descarbonização, não é somente uma pauta ambiental. Ela está diretamente ligada à produtividade e ao ganho econômico das empresas”, reforça Aline Calefi.
Sustentabilidade é estratégia de negócio
A experiência da Zengo Uniformes ilustra como a descarbonização tem sido incorporada ao planejamento empresarial. A decisão de participar do programa surgiu a partir de demandas do próprio mercado.
“Entendemos a importância quando grandes empresas começaram a nos procurar e questionar questões relacionadas à sustentabilidade. Isso passou a ser um diferencial competitivo para nós”, afirma Lidiane Socek, Diretora Comercial da Zengo.
Segundo ela, a adesão ao programa fortaleceu não apenas processos internos, mas também a percepção da marca diante de clientes e parceiros: “mostra que a empresa está preocupada com essa agenda e em constante evolução. Isso fortalece a imagem e gera valor no relacionamento com o mercado”.
No dia a dia operacional, os ganhos também são concretos. Karoline Bonfim, analista de Recursos Humanos e auxiliar dos programas e processos da Zengo, destaca que a iniciativa trouxe mais controle e eficiência.
“Já buscávamos reduzir desperdícios e o programa trouxe uma estrutura técnica e estratégica. Passamos a enxergar a descarbonização diretamente ligada à eficiência operacional e à competitividade”, afirma.
Ela relata que a mudança já impacta decisões internas: “hoje temos mais segurança para investir nas iniciativas certas. A equipe também ficou mais consciente e isso influencia toda a empresa”.
Redução de custos e acesso a novos mercados
Além do impacto ambiental, a descarbonização tem efeito direto sobre custos produtivos. A revisão de processos e o uso mais eficiente de energia reduzem desperdícios e aumentam a margem operacional.
Ao mesmo tempo, empresas que adotam práticas de baixo carbono ampliam sua capacidade de competir em cadeias produtivas mais exigentes, especialmente aquelas conectadas a mercados internacionais.
“Além de reduzir emissões, o programa contribui para que as indústrias conquistem novos clientes, tenham acesso a financiamentos e fortaleçam sua reputação”, destaca Aline.