14 de maio de 2026

Cascavel

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Consamu nega crise financeira após denúncias de cortes e classifica contenção de despesas como medidas de rotina

Consórcio afirma que não há inadimplência de municípios nem risco ao atendimento, apesar de relatos sobre redução de custos e ajustes internos.

Foto: Luiz Felipe Max

O Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste (Consamu) negou enfrentar dificuldades financeiras ou risco de desassistência à população após relatos internos e externos apontarem medidas de contenção de gastos e possíveis problemas administrativos no órgão. A reportagem recebeu denúncias sobre cortes de horas extras de profissionais da saúde, restrições à dupla jornada para servidores que atuam em mais de um período dentro da unidade e outras medidas internas de economia, incluindo orientações para redução no uso de materiais descartáveis.

Diante das informações, a reportagem questionou oficialmente o Consamu sobre a existência de inadimplência entre municípios consorciados, eventuais dificuldades orçamentárias, medidas administrativas recentes e possíveis impactos operacionais nos serviços prestados à população.

Em nota oficial encaminhada à reportagem, o consórcio informou que mantém ações permanentes de contenção de despesas, classificadas como medidas de rotina voltadas à eficiência na gestão de recursos públicos e à sustentabilidade financeira da operação. Segundo o Consamu, as ações fazem parte de uma política administrativa contínua e não estão relacionadas a qualquer cenário de crise financeira.

O órgão também afirmou que não existe inadimplência por parte dos municípios integrantes do consórcio, negando informações recebidas pela reportagem sobre supostos débitos ou pendências financeiras de cidades consorciadas junto à instituição.

Ainda conforme a nota, não há risco de impacto operacional nos atendimentos realizados pelo Consamu, incluindo funcionamento das bases, manutenção das equipes e continuidade dos serviços de urgência e emergência prestados na região Oeste do Paraná.

Apesar do posicionamento oficial, as reclamações recebidas pela reportagem apontam para mudanças internas recentes, como redução de horas extras, limitação de jornadas adicionais e reforço em políticas de economia de insumos e materiais de expediente. A administração, no entanto, não detalhou quais medidas específicas foram adotadas, nem apresentou informações públicas sobre eventuais ajustes administrativos em andamento.

Em contato com o presidente do Consamu e prefeito de Corbélia, Thiago Stefanello, encaminhou posicionamento sobre a situação financeira e administrativa do consórcio. Segundo ele, atrasos em repasses por parte de municípios são recorrentes em consórcios públicos e fazem parte da rotina administrativa.

“Municípios com atrasos, seja no Consamu, no Cisop ou na Amop, sempre existiu e vai existir. Os consórcios já estão acostumados com isso e possuem fundo de reserva para amenizar esses atrasos”, afirmou.

O presidente também apontou desequilíbrio no financiamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e responsabilizou a União pelo não cumprimento dos percentuais previstos nas portarias de criação do serviço.

“Os municípios estão bancando 60%, enquanto deveria ser apenas 25%. O Governo Federal nunca repassou o que as portarias determinaram - E sim, o Consamu caminha para se tornar insustentável pelos municípios se não houver a contrapartida necessária da união”, declarou.

De acordo com Stefanello, a divisão prevista para financiamento do Samu estabelece participação de 25% dos municípios, 25% do Governo do Estado e 50% da União. Segundo ele, o descumprimento desses repasses federais gera pressão financeira adicional sobre os municípios e consórcios regionais.

Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Luiz Felipe Max

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