Operação Sicarius mira grupo que movimentou R$ 375 milhões com contrabando na fronteira do Paraná
Investigação da PF e Receita Federal aponta esquema de lavagem de dinheiro ligado ao contrabando de cigarros e agrotóxicos do Paraguai.
A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram nesta terça-feira (09/06) a Operação Sicarius para desarticular uma organização criminosa transnacional suspeita de lavar dinheiro obtido com o contrabando de cigarros e agrotóxicos. O grupo atuava principalmente na região de fronteira entre Brasil e Paraguai, com destaque para a cidade de Guaíra, no oeste do Paraná. Ao todo, são cumpridos 120 mandados judiciais em sete estados brasileiros.
As investigações apontaram que a organização era especializada no transporte ilegal de mercadorias paraguaias para o Brasil e utilizava mecanismos de ocultação e dissimulação de patrimônio para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com as atividades criminosas.
Durante a apuração conjunta entre Polícia Federal e Receita Federal, foi identificada a atuação de um doleiro apontado como peça central do esquema de lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, ele teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024 por meio de contas em nome de terceiros e empresas de fachada. Apenas em suas contas pessoais, o volume bruto movimentado ultrapassou R$ 114 milhões no período.
As investigações tiveram início a partir de prisões em flagrante relacionadas ao transporte de cigarros contrabandeados do Paraguai. Com o avanço das análises, os órgãos responsáveis identificaram indícios de crimes antecedentes à lavagem de dinheiro.
No decorrer das apurações, a 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário dos investigados, permitindo o aprofundamento das investigações sobre a movimentação financeira do grupo.
De acordo com a Polícia Federal e a Receita Federal, os integrantes da organização utilizavam pessoas interpostas e empresas de fachada para registrar bens e movimentar recursos. O doleiro investigado seria responsável por operacionalizar as transações financeiras e ocultar a origem ilícita dos valores.
A Operação Sicarius cumpre 62 mandados de busca e apreensão, 44 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de prisão temporária nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Guaíra.
Além das medidas criminais, a Justiça determinou a realização de procedimentos fiscais em empresas que receberam recursos provenientes do doleiro investigado. Também foi autorizado o cancelamento de CPFs e CNPJs de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos esquemas fraudulentos.
Participam da ação sete auditores-fiscais e dois analistas-tributários da Receita Federal, além de 220 policiais federais.
A Receita Federal destacou que a operação reforça o compromisso institucional no combate aos crimes financeiros e à lavagem de dinheiro, além da proteção da economia nacional e da concorrência leal entre empresas.