10 de junho de 2026

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Violência contra mulher aumenta em dias de jogos de futebol e acende alerta sobre acesso à informação

Dados nacionais mostram aumento de casos de agressão durante partidas e reforçam importância de iniciativas que aproximam informação e apoio das mulheres

Violência contra mulher aumenta em dias de jogos de futebol e acende alerta sobre acesso à informação
© Divulgação

Os dias de jogos de futebol masculino registram aumento de cerca de 25% nos casos de violência contra a mulher no Brasil, segundo dados do Ministério das Mulheres. O cenário acende um alerta especialmente com a proximidade da Copa do Mundo e reforça outro problema recorrente: a dificuldade de muitas mulheres em acessar informações básicas sobre seus direitos e os mecanismos de proteção disponíveis. Somente em 2025, o Ligue 180 ultrapassou a marca de 1 milhão de atendimentos, crescimento de 45% em relação ao ano anterior, enquanto o Conselho Nacional de Justiça contabilizou mais de 620 mil medidas protetivas concedidas no período, uma média de 70 por hora.

“A violência contra a mulher tende a aumentar nos dias de jogos por uma combinação de fatores sociais, culturais e comportamentais já associados a relações abusivas. O futebol não é a causa direta da violência, mas funciona como um potencializador de situações de agressividade e tensão que já existem dentro de relações marcadas pela desigualdade de gênero”, diz o coordenador do curso de Direito da PUCPR Toledo, Denner Pereira.

Mesmo com políticas públicas de proteção às mulheres, a desinformação sobre direitos básicos ainda é uma das principais barreiras para o acesso à Justiça e a proteção das mulheres. “Em diversas situações, elas não sabem os seus próprios direitos, como por exemplo: como solicitar pensão alimentícia, quais são os direitos em casos de união estável, como funciona a guarda dos filhos ou até mesmo como buscar proteção em situações de violência. E para quebrar esse ciclo, a informação é o melhor caminho”, afirma.


Projeto Fala Mulher

Em meio às discussões sobre acolhimento, proteção e acesso à informação, o curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Câmpus Toledo passa a integrar o programa Fala Mulher, iniciativa da Secretaria Municipal da Mulher voltada ao atendimento das mulheres nos bairros e no interior do município. O projeto prevê encontros presenciais mensais com professores e estudantes oferecendo orientação jurídica gratuita à população e encaminhamento de demandas apresentadas pelas mulheres. Os locais dos encontros são definidos mensalmente e divulgados pela Prefeitura de Toledo.

Segundo o coordenador, além do desconhecimento de direitos fundamentais garantidos por lei, muitas mulheres também enfrentam como obstáculo a distância para acessar os serviços especializados. “Muitas mulheres acabam não conseguindo acessar orientação especializada por questões financeiras, dificuldade de deslocamento ou até insegurança emocional. Quando levamos esse atendimento para dentro das comunidades, facilitamos o acesso à informação e fortalecemos a rede de apoio”, explica.

Além da violência física, o projeto também pretende ampliar o debate sobre formas menos visíveis de violação de direitos, como violência psicológica, patrimonial e controle financeiro, situações que muitas vezes não são reconhecidas pelas vítimas como violência prevista em lei. “Há casos em que a mulher sofre retenção de documentos, controle do dinheiro, impedimento de trabalhar ou manipulação emocional constante sem perceber que isso também configura violência. Esses temas precisam ser discutidos de forma acessível e próxima da realidade da comunidade”, ressalta Denner.

A iniciativa também fortalece a formação prática dos estudantes de Direito da PUCPR Toledo, aproximando os acadêmicos das demandas sociais do município. “Mais do que a formação técnica, é fundamental que os estudantes compreendam a realidade das pessoas e o papel social do Direito. Participar de um projeto como esse permite vivenciar situações reais e contribuir diretamente com a comunidade”, completa o coordenador.

/PUCPR Toledo - Foto: Divulgação


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