10 de junho de 2026

Cascavel

Paraná

Polícia Civil indicia clínica e três veterinários por maus-tratos após investigação sobre descarte de cães no Paraná

Inquérito apontou abandono de animais pós-castração, falhas sanitárias e irregularidades em clínica conveniada ao município.

Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Paraná concluiu a investigação sobre um caso de maus-tratos contra animais em Ponta Grossa e indiciou três médicos veterinários e uma empresa prestadora de serviços médico-veterinários vinculada ao município. O inquérito, conduzido pelo 2º Distrito Policial, apontou abandono de cães, descumprimento de protocolos sanitários e uma série de falhas operacionais na unidade.

As apurações começaram em março de 2026, após denúncias divulgadas pela imprensa local mostrarem funcionários da clínica descartando cães em via pública. A investigação comprovou que dois animais recolhidos para castração por meio de um convênio com o Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) foram abandonados na Vila Mezzomo, em uma área isolada às margens de uma linha férrea ativa, a mais de sete quilômetros da comunidade onde viviam e eram acompanhados.

Quando foram resgatados, os cães apresentavam quadro de desidratação severa, além de incisões cirúrgicas abertas e pontos rompidos, sem proteção adequada e sem suporte analgésico.

Durante as diligências, laudos periciais e vistorias técnicas identificaram diversas irregularidades no funcionamento da clínica. Segundo a Polícia Civil, animais de grande porte eram mantidos em espaços reduzidos, sem condições adequadas de movimentação. Um gato diagnosticado com esporotricose, doença infectocontagiosa transmissível, permanecia em enfermaria comum, sem isolamento ou sinalização específica.

As inspeções também constataram a ausência de controle de esterilização dos instrumentos cirúrgicos. Na área externa do estabelecimento, cadáveres de animais eram armazenados de forma irregular em freezers posicionados próximos a materiais perfurocortantes destampados e ao lado de cadelas em período de amamentação com filhotes recém-nascidos. Em um dos locais, um filhote foi encontrado morto e sem qualquer assistência.

A investigação ainda apontou o uso de instrumentos inadequados em procedimentos cirúrgicos, situação que teria provocado danos físicos em um dos animais atendidos.

Em depoimentos, a defesa dos investigados sustentou que a devolução dos cães seguia o protocolo internacional CED, de Captura, Esterilização e Devolução. No entanto, a Polícia Civil descartou essa justificativa ao afirmar que o procedimento exige recuperação completa do animal em ambiente asséptico, cicatrização adequada, microchipagem e retorno ao local exato de origem.

De acordo com a corporação, a soltura dos cães ainda debilitados, em uma região distante e considerada de risco, descaracteriza o protocolo e configura abandono.

Com base no conjunto de provas reunidas, a Polícia Civil concluiu que os maus-tratos decorreram de decisões gerenciais voltadas à redução de custos relacionados à recuperação, alimentação e medicação pós-cirúrgica dos animais.

O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público de Ponta Grossa, que deverá analisar o caso e adotar as medidas cabíveis.

Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação

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