07 de agosto de 2026

Cascavel

Cascavel

Motorista é condenado pela morte de menino atropelado em calçada no Centro de Cascavel; família pede pena mais rigorosa

Sentença foi divulgada nesta quarta-feira (17) e fixa quatro anos de prisão em regime semiaberto por homicídio culposo.

Foto: Luiz Felipe Max

Dois anos após o acidente que comoveu Cascavel, a Justiça condenou a motorista envolvida na morte de Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como Nando, de 9 anos. A sentença foi divulgada nesta quarta-feira (17/06) e fixou pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A defesa da família do menino e os advogados da ré já anunciaram que irão recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça do Paraná.

O acidente aconteceu em junho de 2024, na região central de Cascavel. De acordo com o processo, a motorista seguia pela Avenida Piquiri quando avançou a preferencial e atingiu uma motocicleta que trafegava pela Rua Paraná. Após a colisão, o carro perdeu o controle, subiu na calçada e atropelou Fernando, que estava acompanhado da mãe. O menino morreu no local.

A decisão judicial reconheceu a prática de homicídio culposo. Posteriormente, a pena privativa de liberdade foi convertida em penas restritivas de direitos. Para a família de Nando, porém, a responsabilização aplicada não é suficiente.

O advogado Lauri Silva informou que pretende recorrer para que o caso seja enquadrado como dolo eventual, entendimento que considera que a motorista assumiu o risco de provocar a morte. Caso a tese seja acolhida pelo Tribunal de Justiça do Paraná, a acusada poderá ser submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri e a pena prevista poderá ser superior à fixada atualmente.

Segundo a argumentação apresentada pela família, a conduta da motorista após a colisão inicial demonstraria a assunção do risco, motivo pelo qual o caso deveria ser analisado por jurados populares.

Horas após a divulgação da sentença, a defesa da motorista também confirmou que recorrerá da decisão. O advogado Renato Armiliato afirmou em entrevista a um veiculo local, que a condenação confirmou a tese sustentada desde o início do processo, de que não houve intenção de matar e que o episódio se enquadra como homicídio culposo.

Apesar de considerar que os principais argumentos da defesa foram reconhecidos pela Justiça, Armiliato afirmou que buscará a redução da pena aplicada. Um dos pontos questionados será o aumento da punição em razão do atropelamento ter ocorrido sobre a calçada.

De acordo com a defesa, após a colisão com a motocicleta, a motorista perdeu o controle do veículo e não teria condições de direcionar o carro. O advogado também rejeitou a possibilidade de reconhecimento do dolo eventual, argumentando que não existem elementos que indiquem essa situação.

A defesa destacou ainda que a motorista não estava embriagada, não utilizava celular no momento do acidente e jamais tentou se eximir da responsabilidade pelo ocorrido.

Segundo Armiliato, a cliente sofreu profundas mudanças desde a tragédia, deixou o emprego e alterou completamente a rotina. A defesa afirma que ela compreende a gravidade do caso e convive com as consequências emocionais do acidente.

Com recursos anunciados pelas duas partes, o processo seguirá para análise do Tribunal de Justiça do Paraná. Enquanto a família de Fernando busca uma responsabilização mais rigorosa, a defesa da motorista tenta reduzir a pena aplicada.

Dois anos após o acidente que marcou a história recente de Cascavel e gerou forte comoção popular, a disputa judicial permanece em aberto.

SAIBA MAIS - Criança nove anos morre e outras três pessoas ficam feridas em acidente no centro de Cascavel

Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Luiz Felipe Max

Leia Também

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Veja nossa Política de Privacidade .