Plano Safra preocupa Apepa diante de juros altos e restrições ao crédito
A avaliação da entidade é de que o agronegócio brasileiro necessita de mais de R$ 600 bilhões para atender adequadamente às demandas de custeio, investimento e comercialização da próxima safra.
A expectativa do setor agropecuário em relação ao próximo Plano Safra vem acompanhada de preocupação por parte da Apepa (Associação Paranaense das Empresas de Planejamento Agropecuário). A entidade alerta que, mais importante do que os valores anunciados pelo governo federal, é garantir que os recursos cheguem efetivamente ao produtor rural em condições viáveis de financiamento.
Segundo o presidente da Apepa, Engenheiro Agrônomo Daniel Galafassi, existe um histórico de divulgação de montantes elevados que, na prática, acabam não se traduzindo em crédito acessível para o campo. “O governo costuma anunciar números expressivos para o Plano Safra, mas o grande problema está na equalização dos juros. Sem esse mecanismo, os financiamentos ficam caros e o produtor acaba encontrando dificuldades para acessar os recursos”, afirma.
A avaliação da entidade é de que o agronegócio brasileiro necessita de mais de R$ 600 bilhões para atender adequadamente às demandas de custeio, investimento e comercialização da próxima safra. No entanto, além da preocupação com o volume de recursos, a Apepa chama atenção para as barreiras enfrentadas pelos agricultores na obtenção do crédito.
Nos últimos anos, especialmente após as duas safras mais recentes, muitos produtores passaram a enfrentar problemas de endividamento. O cenário foi agravado pelo aumento dos custos de produção e pela queda nos preços de comercialização de culturas importantes, como a soja.
“O produtor planta com um custo elevado e muitas vezes colhe em um cenário de mercado desfavorável. Isso compromete a capacidade financeira e dificulta a contratação de novos financiamentos”, destaca Galafassi.
Outro fator apontado pela entidade é o aumento das exigências por parte das instituições financeiras. Atualmente, os bancos têm solicitado um volume cada vez maior de garantias, incluindo terras, imóveis urbanos e rurais, máquinas e implementos agrícolas.
“Mesmo apresentando patrimônio e garantias, muitos agricultores encontram obstáculos para obter crédito. Isso gera insegurança e limita a capacidade de investimento no campo”, observa Galafassi.
A falta de uma política consistente de seguro rural também preocupa a Apepa. De acordo com a entidade, a redução dos recursos destinados à subvenção do seguro tem elevado os custos das apólices, levando muitos produtores a desistirem da contratação. “O seguro rural é uma ferramenta fundamental para proteger a atividade agropecuária. Sem a subvenção prometida pelo governo, o custo fica elevado e muitos produtores acabam ficando desprotegidos diante dos riscos climáticos”, afirma.