08 de julho de 2026

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Acic alerta que avanço das apostas esportivas já afeta consumo, empresas e economia brasileira

Estudo apresentado pela Acic aponta crescimento acelerado das bets, redução do consumo das famílias e reforça a necessidade de ampliar a educação financeira....

Acic alerta que avanço das apostas esportivas já afeta consumo, empresas e economia brasileira
© Divulgação

O crescimento do mercado de apostas esportivas no Brasil e seus reflexos sobre a economia, o consumo das famílias e a saúde financeira da população foram debatidos durante reunião de diretoria da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), realizada na manhã desta quarta-feira (08/07). O estudo A economia da (in)decisão, apresentado pelo coordenador do Núcleo de Investimentos e Mercado de Capitais da entidade, Maico Sullivan, apontou que o avanço das plataformas de apostas já provoca impactos relevantes para famílias, empresas e para a atividade econômica nacional.

Durante a apresentação, Maico destacou que mais de 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas em plataformas legalizadas ao longo de 2025, movimentando R$ 37 bilhões. Apenas no primeiro semestre de 2026, o setor já registrou R$ 31 bilhões em apostas, indicando um ritmo ainda mais acelerado de crescimento.

Segundo o levantamento, os recursos destinados às plataformas deixam de circular no comércio, reduzem a formação de reservas financeiras, diminuem os investimentos e comprometem o poder de consumo das famílias. Os dados apresentados também relacionam o crescimento das apostas ao aumento dos pedidos de autoexclusão por perda de controle e aos problemas ligados à saúde mental. Em 2025, 17% da população realizou apostas online, enquanto apenas 21% participou de programas formais de educação financeira. Além disso, 31% dos brasileiros não possuem qualquer reserva financeira.

A exposição também destacou que as plataformas utilizam ferramentas tecnológicas avançadas para aumentar o tempo de permanência dos usuários, como sistemas de personalização baseados em inteligência artificial, recompensas imediatas e apostas em tempo real, principalmente em partidas de futebol. O estudo aponta que a indústria global de apostas movimenta mais de US$ 111 bilhões e deve continuar em expansão nos próximos anos.

Outro ponto de atenção apresentado foi a possibilidade de agravamento do cenário após a Copa do Mundo de Futebol de 2026. A avaliação é de que o evento ampliou significativamente o número de apostadores e poderá intensificar os casos de dependência em jogos, aumentando os impactos sobre a saúde mental, o orçamento das famílias e a economia.

A apresentação gerou preocupação entre os diretores da Acic, que defenderam a ampliação de iniciativas voltadas à conscientização da população. A entidade avalia que a educação financeira precisa ganhar espaço nas empresas, nas escolas e no ambiente familiar, incentivando o planejamento financeiro, a formação de patrimônio e o investimento produtivo.

Conforme Maico Sullivan, esse é justamente o propósito do Núcleo de Investimentos e Mercado de Capitais da Acic, que busca democratizar o acesso ao mercado financeiro por meio da educação, ampliar a cultura de investimentos, reduzir decisões financeiras impulsivas e aproximar pessoas e empresas do mercado de capitais, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional.

/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação


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