23 de julho de 2026

Cascavel

Paraná

Polícia Civil desarticula esquema de venda ilegal de medicamento para aborto que operava no Paraná

Denúncia do CRM-SC levou à investigação que identificou três irmãs de Ponta Grossa suspeitas de comercializar medicamentos de uso hospitalar pela internet.

Foto: Divulgação/PCPR

Uma investigação da Polícia Civil do Paraná revelou uma rede estruturada de comercialização ilegal de medicamentos de uso restrito hospitalar que atuava a partir de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O inquérito foi conduzido pelo 2º Distrito Policial de Ponta Grossa, em ação coordenada com a Polícia Civil de Santa Catarina, após uma denúncia do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC). Ao fim das investigações, três irmãs, de 25, 27 e 28 anos, foram indiciadas pelo crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

O caso teve início após o CRM-SC identificar um perfil no Instagram que anunciava ilegalmente a venda de pílulas abortivas, conhecidas comercialmente como Cytotec (misoprostol), utilizando um número de telefone com registro em Santa Catarina. A partir do cruzamento de informações e de técnicas de inteligência cibernética, os investigadores constataram que, apesar da aparência de atuação no estado vizinho, as responsáveis pelas negociações residiam e operavam diretamente em Ponta Grossa, no Paraná.

Durante o andamento da investigação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência das investigadas. No local, a Polícia Civil recolheu dispositivos eletrônicos e obteve autorização judicial para a quebra do sigilo telemático das suspeitas.

Embora não tenham sido encontrados estoques físicos de medicamentos durante as buscas, a perícia realizada pela Polícia Científica nos aparelhos celulares apreendidos identificou um grupo virtual estruturado, utilizado para coordenar a atividade criminosa. Conforme a investigação, as três mulheres dividiam funções específicas, como atendimento aos clientes, definição e tabelamento de preços e prospecção de compradores em larga escala.

As investigações também apontaram que uma das indiciadas exerce a profissão de enfermeira obstetra.

Segundo a Polícia Civil, os medicamentos comercializados possuem uso e distribuição restritos ao ambiente hospitalar, conforme normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A venda e utilização dessas substâncias fora dos protocolos estabelecidos representam risco à saúde pública por ocorrerem sem qualquer controle sanitário.

Com a conclusão do inquérito, as três investigadas foram formalmente indiciadas. Elas respondem ao procedimento em liberdade. O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que analisarão o caso e adotarão as medidas cabíveis.

Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação/PCPR

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