Moro reúne experiências de El Salvador e Itália na Fiesp para discutir combate ao crime organizado
Convidados internacionais, incluindo o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, participam de congresso sobre os impactos do crime organizado na segurança, nas empresas e na economia....
O senador Sergio Moro (PL-PR), presidente do Conselho Superior de Segurança (Coseg) da Fiesp e candidato do PL ao governo do Paraná, será o anfitrião, nesta segunda-feira (31), em São Paulo, do Congresso Fiesp de Seguranca Pública que reunirá autoridades, especialistas e empresários para discutir estratégias de enfrentamento ao crime organizado e os efeitos da criminalidade sobre a atividade econômica.
Um dos principais destaques será a participação, pela primeira vez no Brasil, de Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, que apresentará a experiência do país no combate às organizações criminosas. Nos últimos anos, El Salvador adotou uma política mais rigorosa de enfrentamento ao crime, com ampliação da atuação das forças de segurança, fortalecimento da inteligência e operações voltadas à prisão de integrantes de organizações criminosas. A estratégia foi acompanhada por uma forte redução dos índices de homicídios e transformou o país em um dos casos internacionais estudados no debate sobre segurança pública.
A experiência salvadorenha também envolve uma atuação integrada do Estado contra as estruturas das organizações criminosas, com foco não apenas na prisão de integrantes, mas também na recuperação do controle de territórios e no enfraquecimento da capacidade operacional desses grupos. Essa combinação de ações de segurança, inteligência e enfrentamento às estruturas criminosas será um dos pontos apresentados por Villatoro durante o congresso da Fiesp.
A Itália também estará representada por Giovanni Tartaglia Polcini, assessor do Ministério das Relações Exteriores italiano e diretor adjunto do Programa EL PACCTO 2.0. Ele abordará o modelo italiano de enfrentamento às organizações criminosas e a cooperação internacional, especialmente a experiência acumulada no combate às máfias.
Para Moro, o avanço do crime organizado deixou de ser um problema restrito à área de segurança e passou a representar também uma ameaça à economia, aos investimentos e à capacidade do Estado de exercer controle sobre seus territórios.
“O crime organizado ameaça a segurança das pessoas, mas também atinge empresas, investimentos e as próprias instituições. Precisamos aprender com experiências que deram resultado, fortalecer a inteligência, integrar as forças de segurança e, principalmente, atacar o poder financeiro dessas organizações”, afirma Moro.
Entre os participantes brasileiros estão o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), reconhecido pela atuação no enfrentamento ao PCC; Rodrigo Pimentel, ex-integrante do Bope; e o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP).
O congresso também discutirá como a expansão das organizações criminosas interfere na economia formal, aumenta riscos e custos para as empresas e afeta o ambiente de negócios.
Durante o evento, a Fiesp apresentará os principais resultados de um programa de pesquisas sobre segurança pública que reúne as percepções da população, da indústria paulista e da população carcerária do Estado de São Paulo.
À frente do Coseg, Moro tem defendido uma participação maior do setor produtivo no debate sobre segurança pública e o enfrentamento às estruturas financeiras do crime. Para o senador, experiências internacionais podem contribuir para a formulação de políticas mais eficientes no Brasil, desde que consideradas as características e a realidade de cada Estado.
“Não existe ambiente de negócios seguro onde o crime organizado ganha espaço. Combater essas organizações também significa proteger quem trabalha, produz, investe e gera empregos”, afirma.
O congresso será realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, nesta segunda-feira (31).
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