Do interior do Paraná à liderança do Stein: Luana Rodrigues constrói trajetória de títulos e protagonismo
Capitã do Stein Cascavel Futsal, a atleta consolidou sua carreira com títulos pelo clube e convocações para a Seleção Brasileira...
Quando chegou ao Stein Cascavel Futsal, Luana Rodrigues encontrou mais do que uma nova equipe. O clube marcou uma virada na trajetória da jovem, que passou a conviver com uma nova rotina de treinamentos, aumentou as responsabilidades dentro de quadra e, temporada após temporada, ganhou espaço até assumir a braçadeira de capitã.
O interesse do Stein surgiu nos confrontos dos jogos contra Luana. As atuações da jogadora chamaram a atenção da comissão técnica, que passou a acompanhar o trabalho desenvolvido por ela antes de fazer o convite. “Fiquei muito surpresa com o interesse deles. Era um time novo, mas que já estava alcançando grandes resultados no cenário, com o auxiliar da Seleção Brasileira no comando e grandes atletas. Foi motivo de muita felicidade e orgulho perceber que o meu trabalho estava sendo observado e reconhecido”, relembra.
Luana acertou com o clube em 2021 e, em 2022, mudou-se definitivamente para Cascavel. Pela primeira vez, deixou Cianorte, a família e a rotina que conhecia para viver integralmente o futsal. A adaptação envolveu dividir casa com outras atletas, assimilar um novo ritmo de trabalho e encarar um nível diferente de exigência profissional.
Foi no Stein que a camisa 4 também passou a enxergar a carreira de outra forma. “Cresci muito como pessoa e como atleta. Passei a entender melhor tudo o que precisava fazer para realmente me tornar uma atleta de alto rendimento e comecei a valorizar mais o processo, não somente o resultado. Também fui ganhando mais voz e entendendo o papel de uma líder”, afirma a fixa.
A evolução dentro do grupo levou Luana à capitania. Para ela, a braçadeira representa mais do que comandar a equipe em quadra. “Ser líder não é apenas estar à frente, mas contribuir para que quem está ao meu lado também cresça. Foi com essa postura que conquistei a confiança do treinador e, hoje, tenho a responsabilidade de ser capitã da equipe. Também passei a compreender melhor quem me tornei e o valor que a minha história tem, tanto para mim quanto para quem me acompanha.”
Superação antes das conquistas
O caminho no Stein também teve obstáculos. Após a primeira temporada, Luana precisou passar por cirurgia nos dois joelhos. A recuperação exigiu dedicação ao trabalho físico e acompanhamento psicológico para retomar o ritmo e voltar a competir em alto nível. Mesmo durante esse processo, retornou às quadras para disputar a Supercopa e fez parte da campanha do título. As dores ainda acompanharam a atleta posteriormente e exigiram um período prolongado de tratamento.
A resposta veio dentro de quadra. Até o momento, pelo Stein, Luana acumulou títulos e aumentou a presença entre as principais atletas da modalidade. Entre as conquistas destacadas por ela estão três Supercopas pelo clube, duas Libertadores, a Taça Brasil, títulos do Campeonato Paranaense, três edições da Copa Mundo e duas LFFs.
O desempenho também abriu as portas da Seleção Brasileira, inclusive com a convocação da Copa do Mundo, um dos capítulos mais importantes da carreira da atleta e também da trajetória construída vestindo a camisa do Stein. Na primeira fase do Campeonato Paranaense Série Ouro deste ano, Luana vem confirmando o bom momento: são oito gols marcados e a liderança na artilharia.
Da brincadeira nas ruas de Cianorte ao futsal profissional
Antes dos títulos, da Seleção e da braçadeira de capitã, o ponto de partida estava a cerca de 220 quilômetros de Cascavel. Natural de Cianorte, no noroeste do Paraná, Luana começou a jogar ainda criança, nas ruas e em escolinhas esportivas do município.
Aos 14 anos, a participação nos Jogos Escolares do Paraná rendeu uma bolsa de estudos. Depois, veio o convite para integrar as categorias de base da equipe municipal. Em 2016, mesmo sem ter completado 18 anos, ganhou espaço no elenco adulto.
A rotina ainda estava distante da estrutura que encontraria anos depois. Enquanto outras atletas viviam próximas ao ginásio, Luana fazia diariamente de bicicleta o trajeto de casa até os treinamentos. Em 2017, a jovem atleta decidiu transformar o esporte em profissão. “Foi quando virei a chave. Ganhei mais maturidade, comecei realmente a competir com o time adulto e consegui enxergar que queria viver daquilo”, revela.
O futsal ainda proporcionou uma bolsa para cursar Educação Física e abriu caminhos que, anos depois, levariam Luana até Cascavel. No Stein, aquela menina que começou jogando por diversão encontrou espaço para amadurecer, conquistar títulos, chegar à Seleção Brasileira e se tornar uma das lideranças do elenco. “Hoje consigo olhar para essa trajetória e perceber o quanto cresci e o valor de tudo o que construí ao longo desse caminho”, destaca com orgulho.
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