Sebrae/PR e Caciopar capacitam lideranças associativistas para aplicar práticas ESG na gestão
Jornada reuniu 32 executivos de associações comerciais do Oeste do Paraná em quatro módulos voltados à governança, sustentabilidade e desenvolvimento regional...
Como transformar sustentabilidade, responsabilidade social e boas práticas de governança em ações concretas dentro das associações comerciais? Esse foi o ponto de partida da Jornada ESG para Lideranças Associativistas, realizada pelo Sebrae/PR e pela Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná (Caciopar).
Ao todo, 32 executivos participaram da capacitação, estruturada em quatro módulos, com foco na compreensão, aplicação e disseminação de práticas ESG dentro das próprias associações, fortalecendo a governança, valorizando pessoas, aproximando associados e contribuindo para o desenvolvimento sustentável dos municípios.
A iniciativa é resultado de um termo de parceria firmado durante o Fórum da Caciopar, em 2024. Em 2025, as instituições trabalharam na construção da metodologia e, em 2026, a jornada passou a ser aplicada.
Mais do que apresentar conceitos, a proposta foi levar o ESG para a rotina das associações comerciais. Entre os temas abordados estão capacitação e valorização dos colaboradores, escuta das equipes, gestão de riscos, práticas ambientais, consumo responsável, eficiência no uso de água e energia, além de ética e transparência na gestão.
Para o gerente regional do Sebrae/PR, Augusto Stein, o desafio é fazer com que esse conhecimento se traduza em valor para as entidades e seus associados.
“A aplicação do ESG visa gerar valor e benefícios diretos tanto para as associações quanto para os associados. A nossa contribuição é fazer com que as equipes compreendam o assunto e consigam, de fato, aplicar essas práticas nas associações”, explica Stein.
ESG na prática
Ao longo da jornada, os executivos foram estimulados a incorporar os três pilares do ESG às decisões e aos processos das associações. A ideia é que ações ambientais, sociais e de governança deixem de ser iniciativas isoladas e passem a integrar a gestão das entidades.
Bruna Saara, engenheira e especialista em sustentabilidade, foi a responsável pela condução dos módulos. Ela destaca a importância de aproximar o ESG da realidade das associações comerciais.
“Trabalhamos governança, gestão de riscos, desenvolvimento de pessoas, relacionamento com associados, sustentabilidade e o papel das ACEs no desenvolvimento regional, sempre conectando conteúdo e prática. A proposta da Jornada ESG foi mostrar como incorporar esses princípios à gestão, com ferramentas, indicadores e ações possíveis dentro da realidade de cada associação.”
No aspecto ambiental, por exemplo, foram trabalhadas medidas como redução do uso de papel, coleta seletiva, descarte correto de resíduos e eficiência no consumo de água e energia. Na dimensão social, foram abordadas ações de capacitação, pesquisa de clima, reconhecimento, integração e valorização das equipes. Já a governança envolve temas como ética, transparência, gestão de riscos e processos de decisão.
Para o presidente da Caciopar, Reni Fernande Felipe, um dos principais desafios está justamente em transformar a cultura das organizações em ações permanentes.
“O ESG deixou de ser apenas uma tendência e se tornou um pilar de sustentabilidade e competitividade. O maior desafio é transformar cultura em ação, fazendo com que essas práticas estejam inseridas no planejamento estratégico das associações e não apenas em projetos pontuais.”
A jornada também reforçou o papel das associações comerciais como agentes de desenvolvimento regional. Por estarem conectadas a empresas, poder público e comunidade, elas podem disseminar boas práticas, estimular ações sustentáveis entre os associados e contribuir para a construção de políticas públicas e iniciativas que atendam às demandas dos municípios e da região.
“Mais do que uma capacitação, a Jornada ESG foi um movimento de integração regional. Mostrou que o desenvolvimento sustentável nasce da união entre organizações, empresas, pessoas e valores, deixando nossas associações mais preparadas para liderar com propósito e impacto positivo”, reforça Reni.
Ao final do processo, os participantes passaram da sensibilização à construção de ações concretas, com ferramentas como avaliação do nível de maturidade ESG e plano de ação, Plano de Desenvolvimento Individual, controle de treinamentos e ações realizadas e gestão de riscos.
A proposta, agora, é que as práticas desenvolvidas ao longo dos quatro módulos sejam incorporadas à rotina das associações comerciais, em um processo contínuo de melhoria que depende de cultura organizacional, compromisso da liderança e visão de longo prazo.