Eduardo Bolsonaro é demitido da Polícia Federal por abandono de cargo
Ex-deputado estava nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e acumulou faltas após perder o mandato na Câmara
O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou nesta segunda-feira (21/09) a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF), após processo administrativo disciplinar apontar abandono de cargo por faltas injustificadas por período superior a 30 dias consecutivos. A decisão foi assinada pelo ministro Wellington César Lima e Silva e publicada no Diário Oficial da União.
Eduardo ingressou na Polícia Federal em 2010 e estava afastado do cargo para exercer o mandato de deputado federal. Após a perda do mandato, em dezembro de 2025, a PF determinou seu retorno ao posto de origem, em Angra dos Reis (RJ), mas ele não voltou ao país para reassumir a função.
O processo administrativo disciplinar foi instaurado pela PF no início de 2026 e concluído em julho, quando a corporação decidiu pela demissão. Durante o procedimento, também foi determinada a devolução da carteira funcional e da arma de fogo vinculadas ao cargo.
Eduardo deixou o Brasil em fevereiro de 2025 e passou a viver nos Estados Unidos. Em 20 de julho deste ano, recebeu o green card, documento que concede residência permanente no país e permite viver, trabalhar e estudar em território norte-americano.
A carreira de escrivão da Polícia Federal tinha remuneração inicial de R$ 14.164,81, conforme a tabela salarial de 2025.
Em junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Na mesma decisão, o colegiado determinou a perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal.
Em setembro, a Primeira Turma rejeitou por unanimidade os recursos apresentados pela defesa e manteve a condenação. O julgamento virtual foi encerrado em 18/09.
Segundo o STF, a condenação está relacionada à atuação de Eduardo nos Estados Unidos para tentar interferir no processo que resultou na condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado. A Corte entendeu que ele buscou apoio de autoridades norte-americanas para a adoção de medidas contra autoridades brasileiras e contra o país.