Câmara de Cascavel vota projeto que propõe campanha contra a adultização infantil
Proposta do vereador Edson Souza prevê ações educativas com famílias, escolas e sociedade para prevenir a exposição precoce de crianças a conteúdos inadequados....
A Câmara Municipal de Cascavel vota nesta terça-feira (03/11) o Projeto de Lei nº 114/2026, de autoria do vereador Edson Souza, que propõe a criação da campanha Infância sem Pressa. A iniciativa busca prevenir a adultização infantil por meio de ações integradas entre Poder Público, famílias e sociedade civil, com atenção especial aos riscos da exposição precoce de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados no ambiente digital.
A proposta prevê a realização de palestras, atividades de sensibilização nas comunidades escolares, produção de materiais educativos e iniciativas voltadas às famílias. As ações devem orientar sobre o acompanhamento e a proteção de crianças e adolescentes diante dos conteúdos acessados na internet.
O projeto também pretende complementar as diretrizes da Lei Federal nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital. A legislação estabelece regras para que plataformas digitais adotem mecanismos de proteção, dificultando o acesso de crianças a conteúdos inadequados e reduzindo a exposição a riscos no ambiente virtual.
O debate sobre a adultização infantil ganhou visibilidade em 2025, após denúncias envolvendo redes de exploração e conteúdos digitais que incentivam a exposição precoce de crianças e adolescentes a comportamentos e padrões adultos.
A proposta apresentada por Edson Souza destaca que, embora a regulamentação do ambiente digital seja importante, a mobilização da sociedade também é necessária para ampliar a proteção da infância e da adolescência.
Uma pesquisa do Projeto Brief, da Quid, realizada em 2025 com 1.800 pais e mães, aponta que 77% das crianças e adolescentes no Brasil possuem celular próprio. O levantamento também indica que 53% passam mais de três horas por dia conectados e que mais de 20% começam a utilizar telas antes dos seis anos.
O estudo identificou ainda possíveis impactos associados ao uso de ambientes digitais. Segundo os dados, 46% das crianças apresentam sinais como ansiedade ou irritabilidade. Entre os entrevistados, 8% dos pais relataram episódios de assédio digital, percentual que chega a 16% entre meninas de 13 a 15 anos.
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