Para o produtor rural, reduzir a proteção da lavoura não significa apenas contratar menos uma apólice: significa enfrentar uma safra cada vez mais exposta ao clima, justamente quando os eventos extremos ganham força e podem transformar uma boa expectativa de colheita em prejuízo. O mercado de seguro rural encolheu 5% no primeiro semestre de 2026, mas, no seguro agrícola, a retração chegou a 14,5%. Entre janeiro e junho, foram R$ 5,9 bilhões em prêmios de seguro rural, ante R$ 6,2 bilhões no mesmo período de 2025. Ao colunista, o Engenheiro Agrônomo *-, demonstrou preocupação com esses números, uma vez que se soma a uma sequência de cortes na política de gestão de riscos. O cenário é ainda mais delicado no seguro agrícola, que conta com participação do governo por meio da subvenção ao prêmio. A queda de 14,5% reduz a capacidade de proteção de culturas como soja, milho e trigo diante de estiagens, excesso de chuva, geadas e granizo. Segundo o diretor-técnico da Apepa, 2025 já registrou a menor área segurada em uma década. Com os recursos atualmente disponíveis, 2026 poderá estabelecer um novo piso histórico. “Chegamos no ano passado à pior área segurada nos últimos 10 anos. Agora, com o orçamento disponível atualmente, estamos esperando a pior área segurada dos últimos 20 anos”, alerta.
Trigo: oferta ainda dita o preço
Produtor, a colheita de trigo avança no Brasil, atenuando, de certa forma, a necessidade de importações. Mas atenção: isso não significa trigo barato. Informações apuradas junto ao Cepea-Esalq/USP dão conta de que a oferta de grãos de melhor qualidade continua limitada, enquanto a menor produção esperada no Brasil e no mundo e as cotações internacionais mais firmes sustentam os preços. No campo, o cenário é claro: há trigo chegando, mas qualidade e oferta ainda têm peso decisivo no mercado.
10 milhões de bois confinados
Com mais bois entrando no confinamento, o pecuarista precisa estar atento não apenas em relação à nutrição e ao ganho de peso, mas também à eficiência sanitária. Prévia do Censo de Confinamento 2026, da DSM-Firmenich, revela cerca de 9,78 milhões de bovinos confinados no Brasil neste ano, alta de 5,7% sobre 2025. O avanço mostra que a pecuária brasileira está cada vez mais intensiva. Em 2025, confinamento e Terminação Intensiva a Pasto (TIP) já representaram 23% dos animais abatidos. Ao mesmo tempo, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 mercados, gerando receita recorde de US$ 18 bilhões.
Quase meio trilhão
Se tem um número que comprova a força do cooperativismo no agro brasileiro, é este: as cooperativas agropecuárias movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025, alta de 11,2% sobre o ano anterior. É praticamente meio trilhão de reais circulando em um sistema que está diretamente ligado ao dia a dia do produtor. O crescimento da receita, porém, não significa necessariamente maior rentabilidade. O aumento foi puxado, principalmente, pela valorização dos insumos, como fertilizantes e defensivos, além da alta de produtos como café e proteínas animais. E aqui está o ponto de inflexão: mesmo com o faturamento em alta, as chamadas sobras — resultado distribuído pelas cooperativas — caíram de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões. Ou seja, o faturamento cresceu, mas as margens ficaram mais apertadas. Os dados constam no Anuário do Cooperativismo 2025, da OCB (Organização das Cooperativas do Brasil).
A força do tabaco no Sul
O tabaco continua sendo uma importante fonte de renda para milhares de famílias no campo, mas a safra 2025/2026 fechou com leve recuo. Foram 710,2 mil toneladas produzidas no Sul, 1,3% menos que na temporada anterior. O Virgínia respondeu por cerca de 90% desse volume. A área plantada caiu 0,3%, para 308,9 mil hectares, e o número de famílias produtoras recuou 1,5%. A produtividade média ficou em 2.299 quilos por hectare. Os dados são da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). No Oeste do Paraná, mesmo que modestas, ainda há áreas de cultivo, como na região beira-lago, em Itaipulândia.