Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é preso após impeachment; investigação envolve crise bancária
Detenção foi determinada pelo Ministério Público após o Senado aprovar a destituição; ex-presidente do Banco Central também é alvo da investigação....
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña, do Partido Colorado, foi preso nesta sexta-feira (06/11), em Assunção, após ser destituído pelo Senado. A prisão está relacionada a uma investigação sobre suspeitas de envolvimento na crise financeira do Ueno Bank. A mesma medida foi cumprida contra o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo Spalding.
A Polícia Nacional esteve na residência de Peña para cumprir a determinação do Ministério Público. O ex-presidente permanecerá detido no local até ser apresentado à Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção. Carvallo deverá ficar em uma dependência definida pelo Comando da Polícia.
A ordem foi assinada pelos promotores Elena Fiore, Christian Benítez e Silvia González Véster, do Ministério Público de Delitos Econômicos e Anticorrupção, além da agente Ruth Karina Benítez, da Unidade Especializada em Delitos Informáticos e Lavagem de Ativos. Enquanto a prisão era cumprida, Pedro Alliana, também do Partido Colorado, assumia a Presidência do Paraguai.
Entenda a investigação
Santiago Peña assumiu a Presidência em 2023, mesmo ano em que o Ueno Bank ampliou sua atuação no mercado paraguaio após passar de financeira para instituição bancária. O ex-presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025.
A oposição aponta possível conflito de interesses e questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, alegando que os valores ultrapassaram os limites regulatórios.
As acusações também envolvem supostas alterações nas regras do sistema financeiro e possível omissão do Banco Central. Carlos Carvallo, que presidiu o Ueno até agosto de 2023, foi indicado por Peña naquele período para comandar a autoridade monetária.
Outro ponto questionado envolve mudanças na legislação sobre conflitos de interesses e a concentração de recursos do Instituto de Previsão Social (IPS) no Ueno Bank. Segundo congressistas, centenas de bilhões de guaranis da instituição previdenciária foram direcionados ao banco.
Entre as suspeitas apresentadas no processo estão conflito de interesses, cooptação do Estado, manipulação regulatória, possível desvio de recursos previdenciários, concessão de crédito acima dos limites permitidos e indícios de enriquecimento ilícito. O documento também aponta possíveis consequências para a confiança no sistema financeiro paraguaio.
Impeachment foi aprovado por unanimidade
A destituição de Peña foi aprovada pelo Senado nesta sexta-feira (06/11). Dos 45 integrantes da Casa, 44 estavam presentes e votaram favoravelmente ao impeachment. A decisão ocorreu um dia depois de a Câmara dos Deputados aprovar o afastamento. Mesmo após apresentar um pedido de renúncia, Peña teve o processo analisado pelo Senado.
A discussão na Casa Alta começou na quinta-feira (05/11), depois de o então presidente manifestar, pela rede social X, a intenção de apresentar sua defesa. Na sessão desta sexta-feira, os advogados fizeram a sustentação, mas Peña não compareceu.
O único senador que não participou da votação foi Enrique Riera, que havia deixado o Ministério do Interior na quinta-feira. Antes de ter a renúncia confirmada, ele entregou pessoalmente ao Congresso a carta na qual Peña comunicava sua intenção de deixar a Presidência.
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