OAB Cascavel alerta para novas versões do Golpe do Falso Advogado
Criminosos agora se passam por advogados, promotores, juízes e até por tribunais para enganar vítimas em simulações de audiências...
Uma chamada de vídeo inesperada, alguém do outro lado dizendo ser do Judiciário e a promessa de um valor a receber. Em poucos minutos, o que parecia uma audiência para receber valores, virou prejuízo. Situações como essa têm se repetido e mobilizado a OAB Cascavel (Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção de Cascavel), que, comprometida com a defesa da sociedade e da própria advocacia, tem intensificado a orientação à população.
“É, na verdade, um aprimoramento do já conhecido Golpe do Falso Advogado”, explica a advogada Juliana Peixoto, presidente da Comissão de Direito Previdenciário.
Velho conhecido das autoridades, o golpe voltou com força neste início de ano e ganhou sofisticação. Agora, os criminosos usam voz, imagem e até recursos de inteligência artificial para tornar a abordagem mais convincente. O alvo principal são pessoas que têm ou já tiveram processos judiciais.
Entre 2023 e 2024, começaram a surgir os primeiros registros do golpe no formato mais simples. Os falsários se passavam por advogados pelo WhatsApp, usando fotos reais e dados públicos dos processos. Informavam valores supostamente liberados e pediam transferências via pix para custas processuais.
O que mudou de lá para cá é que o golpe não só continuou, como evoluiu. A prática se espalhou, ganhou novas estratégias e hoje aparece com versões mais elaboradas, que ampliam o alcance e o potencial de prejuízo.
Só no Paraná, mais de 1,7 mil boletins de ocorrência já foram registrados. A estimativa é de que o número real seja ainda maior, já que muitas vítimas não formalizam denúncia.
Segundo Juliana, a tecnologia elevou o poder de convencimento dos golpistas. “Os criminosos constroem situações que parecem reais, com linguagem jurídica, documentos e até simulações de atendimento oficial. Na correria, muitas pessoas acabam acreditando e perdendo valores significativos”, explica.
A nova estratégia inclui falsas audiências virtuais. Os golpistas dizem que o processo entrou em fase de liberação de valores e que é preciso confirmar dados em uma chamada de vídeo. Para dar credibilidade, usam fotos de supostos servidores do STJ e chegam a se apresentar como promotores de justiça.
Como o golpe acontece na prática
Durante a videochamada, a vítima é orientada a espelhar a tela do celular. A partir desse momento, os criminosos conseguem visualizar aplicativos, dados pessoais e movimentações bancárias. Em seguida, induzem acessos ao aplicativo do banco e pedem transferências sob a justificativa de custas.
Também é comum o uso de certidões judiciais falsas. Muitos documentos trazem número de processo e nome das partes corretos, mas são montagens usadas para convencer a vítima.
Juliana reforça que esse tipo de contato não faz parte da rotina do Judiciário. “O STJ não liga para as partes, não faz audiência por WhatsApp e não pede dados bancários. Promotores também não fazem esse tipo de abordagem. Na dúvida, o cidadão deve procurar seu advogado de confiança e verificar diretamente no escritório”, orienta Juliana.
Outra recomendação é sempre conferir se o número de contato é o mesmo já utilizado oficialmente pelo profissional.
Risco vai além do dinheiro
O uso de inteligência artificial também abre espaço para outros crimes. Há registros de tentativas de capturar imagem do rosto em videochamadas para reconhecimento facial, abertura de financiamentos e até contratos indevidos em nome da vítima.
Medidas para conter o avanço
No Paraná, a OAB aprovou no fim de 2025 a propositura de uma ação civil pública para cobrar mais fiscalização e mecanismos de segurança em aplicativos de mensagens.
Em Cascavel, a Subseção mantém ações de conscientização e prepara iniciativas em parceria com a Delegacia de Estelionatos para ampliar a orientação à população.
“É importante ampliar a disseminação de orientação, pois quanto mais as pessoas conhecem o golpe, menor o espaço para os criminosos”, finaliza Juliana.