Feminicídio em Cascavel: Guarda Municipal alerta para aumento de casos e reforça importância da denúncia
Em coletiva, Patrulha Maria da Penha detalha histórico da vítima, números alarmantes e reforça apelo para que mulheres denunciem desde o primeiro sinal de agressão...
Cascavel registrou, na noite de quarta-feira (18), mais um caso de feminicídio. O crime ocorreu na Rua Refúgio, no Bairro Riviera, e vitimou Mayara Araújo Krupiniski Rodrigues, de 30 anos. Ela foi assassinada a facadas pelo companheiro, que fugiu após o crime e segue foragido.
De acordo com informações apresentadas em coletiva pela Guarda Municipal, a ocorrência foi inicialmente atendida pela Polícia Militar. Minutos depois, equipes da GM foram acionadas pelo telefone 153 com a informação de que a mulher possivelmente já estava em óbito. Ao chegarem ao local, os agentes constataram a morte da vítima.
A Patrulha Maria da Penha confirmou que Mayara já havia sido atendida anteriormente em razão de denúncias de agressão. Na ocasião, não havia lesões aparentes e a vítima recusou o atendimento especializado e a solicitação de medidas protetivas. Segundo a Guarda Municipal, ela relatou dependência financeira do agressor, que possuía antecedentes criminais, e temia ficar sem sustento caso ele fosse preso.
O relacionamento, conforme a GM, tinha cerca de seis meses de duração, mas já apresentava histórico de violência. A vítima optou por não formalizar boletim de ocorrência nem solicitar proteção judicial.
Com o registro desta morte, Cascavel chega ao segundo feminicídio em 2026, ainda no mês de fevereiro, o que acende um alerta entre as forças de segurança.
Dados preocupantes
Durante a coletiva, a Guarda Municipal apresentou números que revelam a gravidade do cenário no município. Somente em janeiro foram registradas 114 ocorrências de violência doméstica. No último feriado prolongado, 37 casos foram atendidos, sendo 15 apenas em um único dia.
Segundo a corporação, fatores como a permanência prolongada do agressor na residência, consumo de álcool e entorpecentes e conflitos familiares estão entre os principais elementos associados ao aumento das ocorrências. Em 95% dos atendimentos recentes houve registro de violência física considerada extrema.
A Patrulha Maria da Penha, que atua há nove anos em Cascavel, já acompanhou mais de 15 mil mulheres em situação de violência doméstica. Conforme os dados divulgados, apenas um caso resultou em morte durante período de acompanhamento — situação em que a vítima, mesmo com medida protetiva, voltou a conviver com o agressor.
Importância da denúncia
A Guarda Municipal destaca que muitas ocorrências chegam ao conhecimento das autoridades por meio de denúncias feitas por vizinhos, amigos ou familiares, já que parte das vítimas não procura ajuda diretamente.
A corporação reforça a necessidade de que casos de violência sejam denunciados desde os primeiros sinais de agressão e que as medidas protetivas sejam utilizadas como instrumento de prevenção, a fim de evitar novos desfechos trágicos no município.
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