14 de março de 2026

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Pedágio entre Cascavel e Toledo avança: contrato bilionário está prestes a ser assinado e nova praça entra no radar da região

Concessão de 433 km de rodovias no Oeste do Paraná prevê investimento de R$ 6,7 bilhões em 30 anos e inclui nova praça de pedágio entre Cascavel e Toledo.

Foto: Luiz Felipe Max

O contrato de concessão do Lote 5 das Rodovias Integradas do Paraná está prestes a ser formalizado e deve marcar uma nova fase para a infraestrutura rodoviária do Oeste do estado. A empresa Reúne Rodovias Holding II S.A., controlada pelo Grupo Pátria Investimentos (Concessionária Via Campo Paraná) , deverá assumir a gestão de mais de 430 quilômetros de rodovias federais e estaduais pelos próximos 30 anos, com previsão de R$ 6,7 bilhões em obras e melhorias.

A etapa decisiva ocorreu na manhã de quinta-feira (12), quando a diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres aprovou por unanimidade a outorga da concessão para a empresa. Segundo o diretor Lucas Asfor, a concessionária cumpriu todas as exigências previstas no processo. Com isso, resta apenas a cerimônia de assinatura do contrato, que deve ocorrer nos próximos dias.

O leilão que definiu a empresa responsável pelo lote foi realizado em outubro de 2025 na B3, a bolsa de valores de São Paulo. Na ocasião, o grupo vencedor apresentou um desconto de 23,83% sobre a tarifa básica de pedágio, superando o consórcio formado pelas empresas Way Brasil e Kinea. O deságio foi superior ao limite previsto no edital e obrigará a concessionária a realizar um aporte adicional estimado em R$ 399 milhões no projeto.

Mesmo com o desconto apresentado no leilão, o Lote 5 deverá concentrar uma das tarifas mais altas entre as novas concessões rodoviárias do Paraná. Diante desse cenário, representantes do setor produtivo da região iniciaram discussões com os governos estadual e federal para que parte das obras previstas seja executada diretamente pelo poder público. A estratégia busca reduzir o chamado “degrau tarifário”, que pode elevar o valor final pago pelos usuários.

O lote conecta cidades estratégicas do estado, como Cascavel, Toledo, Maringá, Campo Mourão e Guaíra. O sistema rodoviário inclui trechos das BR-163, BR-369 e BR-467, além de rodovias estaduais que formam um corredor logístico considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola e industrial do Oeste paranaense e para a ligação com países do Mercosul.

O contrato também prevê investimentos operacionais e de manutenção estimados em R$ 5,2 bilhões ao longo da concessão, elevando o total de recursos aplicados nas rodovias para cerca de R$ 11,9 bilhões durante os 30 anos de vigência.

Apesar da assinatura iminente do contrato, a cobrança de pedágio não começará imediatamente. Antes disso, a concessionária deverá realizar serviços iniciais de limpeza, recuperação e adequação nas rodovias. Somente após essa etapa e a fiscalização da agência reguladora será autorizada a operação das praças.

O modelo prevê cinco praças de pedágio ao longo do trecho concedido. Três delas já existiam e serão reativadas nas cidades de Corbélia, Mamborê e Floresta. Outras duas serão construídas: uma em Terra Roxa e outra entre Cascavel e Toledo, ponto que tem gerado forte debate regional.

A instalação da praça entre as duas cidades ocorre em um trecho de aproximadamente 40 quilômetros e preocupa lideranças políticas, entidades empresariais e representantes da indústria e do comércio. Cascavel e Toledo mantêm intensa integração econômica e logística, com fluxo constante de trabalhadores, empresas e transporte de cargas entre os municípios.

Representantes do setor produtivo avaliam que a nova cobrança poderá aumentar custos logísticos e afetar deslocamentos frequentes entre as duas cidades, especialmente para empresas que realizam trajetos curtos ao longo da rodovia.

Outro ponto levantado por moradores da região é o impacto direto na rotina de comunidades próximas às rodovias. O contrato não prevê isenção tarifária para deslocamentos locais, mesmo com a previsão de descontos progressivos para usuários frequentes. Com isso, moradores de distritos como Sede Alvorada, por exemplo, poderão ter que pagar pedágio para se deslocar até Cascavel.

Com a implantação das novas praças, Cascavel tende a ficar cercada por pontos de cobrança nas principais saídas rodoviárias. Atualmente já existem pedágios nos acessos em direção a Ubiratã, Foz do Iguaçu, Laranjeiras do Sul e também na região de Lindoeste.

Enquanto a assinatura oficial do contrato é aguardada, a concessionária Via Campo já iniciou atividades preliminares relacionadas à futura gestão das rodovias. Entre as ações estão vistorias técnicas nos trechos que passarão para a administração privada e a criação de canais de comunicação com usuários e comunidades impactadas pela concessão.

Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Luiz Felipe Max

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