18 de maio de 2026

Cascavel

Fale conosco

Cascavel

Em Cascavel, PPPR e Unioeste fortalecem reintegração social com projeto de ensino superior para apenados

O evento foi realizado no campus da Unioeste em Cascavel.

Em Cascavel, PPPR e Unioeste fortalecem reintegração social com projeto de ensino superior para apenados
© Divulgação

A Polícia Penal do Paraná (PPPR) deu mais um passo importante no fortalecimento das ações de reintegração social de pessoas privadas de liberdade (PPL). Em parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a instituição participou da aula magna que marcou o início oficial do projeto “A Liberdade Tem Asas”, iniciativa que vai levar cursos de ensino superior para dentro do sistema prisional paranaense. O evento foi realizado no campus da Unioeste em Cascavel.

O projeto integra ações ligadas ao programa Pena Justa, do Ministério da Justiça, e reúne esforços da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), da Polícia Penal do Paraná e da Unioeste. A proposta prevê, inicialmente, a oferta de aproximadamente 700 vagas em cursos superiores tecnólogos para as PPL, permitindo que os estudantes consigam concluir a graduação ainda durante o cumprimento da pena.

As atividades terão início em junho em algumas unidades prisionais do Estado, com previsão de expansão já em setembro, incluindo novos cursos e ampliação do número de acadêmicos atendidos.

Durante a aula magna, além da apresentação oficial do projeto, os policiais penais que atuarão como tutores tiveram contato com a plataforma virtual de ensino que será utilizada pelos estudantes, receberam orientações pedagógicas e conheceram detalhes sobre o funcionamento dos cursos e da dinâmica acadêmica dentro das unidades prisionais.

Os cursos serão ofertados na modalidade de ensino a distância (EAD) e contemplam áreas como Gestão Pública, Energias Renováveis, Gestão Organizacional e Inovação, Gestão Pública Municipal, Edifícios Sustentáveis e Tradução e Interpretação em Libras.

A diretora de Tratamento Penal da Polícia Penal do Paraná, Marilu Katia da Costa, destacou a importância do projeto para o fortalecimento da reinserção social e para a ampliação do papel desempenhado pelos policiais penais dentro das unidades prisionais. “Quando nós trazemos um curso tecnólogo para dentro do sistema prisional, aumentamos a possibilidade de o estudante iniciar e concluir essa formação ainda durante o cumprimento da pena. E o mais potente desse projeto é justamente trazer o policial penal para uma nova perspectiva, acompanhando, orientando e participando diretamente desse processo de transformação humana e social”, afirmou.

O reitor da Unioeste, Alexandre Webber, enfatizou o compromisso social da universidade pública e a importância da aproximação entre educação e sistema prisional. “A universidade pública precisa estar presente em todos os espaços da sociedade. Esse projeto representa transformação. Nós não apenas formamos pessoas, nós ajudamos a transformar vidas. Precisamos compreender que essas pessoas retornarão ao convívio social e, por isso, a educação é uma ferramenta essencial para ampliar oportunidades e construir novos caminhos”, destacou.

Coordenadora do projeto “A Liberdade Tem Asas”, a professora doutora Beatriz Helena Dal Molin ressaltou o significado humano da iniciativa e a importância da atuação dos policiais penais como tutores acadêmicos. “Esse projeto representa o encontro entre a educação e o sistema prisional. Educar nesse contexto é reconhecer que, mesmo em ambientes de restrição, o ser humano continua capaz de aprender, reconstruir trajetórias e transformar a própria história. O tutor será alguém que acompanha, orienta e acredita no potencial de transformação dessas pessoas”, disse.

Encerrando a aula magna, o coordenador regional da Polícia Penal do Paraná em Cascavel, Thiago da Costa Correia, destacou a educação como uma das principais ferramentas de transformação dentro do sistema prisional. “A educação liberta e transforma. Muitas vezes falamos em reintegração social, mas antes disso precisamos compreender que há pessoas que sequer tiveram oportunidades reais de socialização ao longo da vida. Esse projeto surge justamente como uma ferramenta de construção de oportunidades, conhecimento e mudança de perspectiva”, finalizou.

/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação

Mais Lidas