22 de junho de 2026

Cascavel

Cascavel

Sem solução imediata para os buracos: Cascavel busca alternativas, enquanto ruas de concreto seguem praticamente intactas

Exemplo dentro da própria cidade mostra diferença entre os dois tipos de pavimentação; especialistas defendem debate sobre soluções de longo prazo

Foto: Luiz Felipe Max

Separados por poucos metros, dois loteamentos construídos praticamente na mesma época contam histórias diferentes em Cascavel. Enquanto as ruas do loteamento Madrid, executadas em concreto, seguem praticamente intactas, vias de um bairro vizinho, construídas com pavimentação tradicional em asfalto, já apresentam desgaste e necessidade de manutenção.

A situação reforça um debate que ganha espaço em diversas cidades brasileiras: vale a pena investir mais na implantação para economizar no futuro?

Em Cascavel, o problema dos buracos volta a se agravar com os períodos de chuva. A água infiltra nas fissuras do pavimento e acelera o desgaste das vias, exigindo novas operações tapa-buracos e reperfilamentos.

O cenário pode ser observado também nos corredores de ônibus da região central. Em alguns trechos, o asfalto convencional apresenta rachaduras, deformações e pontos críticos provocados pelo intenso fluxo de veículos pesados. Já os segmentos executados em concreto permanecem preservados.

Para o engenheiro Alex Maschio, diretor do Instituto Ruas, a diferença entre os materiais é significativa.

Segundo o especialista, o concreto apresenta maior resistência e uma vida útil muito superior ao asfalto convencional, principalmente em locais com grande circulação de veículos pesados.

"O concreto é um investimento maior no início, mas quando se analisa a vida útil da obra e os custos de manutenção ao longo dos anos, ele acaba se tornando mais vantajoso", explica.

Maschio destaca que, em muitos casos, o problema não está apenas no surgimento dos buracos, mas no ciclo contínuo de reparos que acaba exigindo novos investimentos do poder público.

"O barato pode acabar saindo caro. Quando se faz a conta do ciclo de vida do pavimento, a solução mais durável normalmente representa uma economia para a cidade", avalia.

Além da maior durabilidade, o concreto também apresenta melhor desempenho em períodos chuvosos e sofre menos deformações provocadas pelo peso dos veículos.

Prefeitura reconhece desafios e busca alternativas

Apesar dos exemplos positivos observados em alguns pontos da cidade, a Prefeitura de Cascavel ainda não possui um projeto de substituição em larga escala do asfalto convencional pelo concreto.

O secretário municipal de Obras, Severino Folador, afirma que as equipes continuam concentradas nos serviços de manutenção e reconhece que o excesso de chuvas contribui para o aumento dos problemas.

Segundo ele, a administração trabalha para minimizar os impactos e manter as ruas em condições de trafegabilidade.

"Estamos atuando constantemente nas operações tapa-buracos e nos reperfilamentos para atender a demanda da população", afirma o secretário.

Folador também destaca que o município estuda alternativas para melhorar a durabilidade das vias.

"Neste momento não existe uma solução imediata, mas estamos buscando tecnologias e soluções que possam trazer resultados melhores para o futuro", ressalta.

Curitiba aposta no concreto

Enquanto Cascavel mantém o modelo tradicional de manutenção, Curitiba vem ampliando a utilização do pavimento de concreto em obras estruturantes.

Especialistas apontam que a tecnologia possui vida útil que pode ultrapassar duas décadas, além de exigir menos intervenções ao longo do tempo.

A discussão sobre qual modelo oferece o melhor custo-benefício deve continuar ganhando força, especialmente em cidades que enfrentam gastos frequentes com manutenção da malha viária.

Em Cascavel, os exemplos já existentes mostram que a comparação entre concreto e asfalto não está apenas na teoria. Ela pode ser observada nas ruas da própria cidade.

Enquanto isso, a população continua convivendo com buracos, remendos e a expectativa de que soluções mais duradouras possam ser adotadas nos próximos anos.

Por: SOT/Luiz Felipe Max - Foto: Luiz Felipe Max

Leia Também

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Veja nossa Política de Privacidade .