Delegado descarta legítima defesa e revela motivo banal que antecedeu morte de policial civil em Cascavel
Investigação aponta que discussão começou por causa de um portão; advogado confessou os disparos e câmeras com áudio vão esclarecer a dinâmica....
A Delegacia de Homicídios de Cascavel divulgou, na manhã desta segunda-feira (29/06), novos detalhes sobre a investigação da morte do policial civil João Ezequiel Baptista Pereira, ocorrida na noite de domingo (28/06), em uma residência na Rua Fernando Antonio Marassi, no Bairro Brasmadeira. Segundo o delegado Fabiano Moza, responsável pelo caso, a discussão que antecedeu o homicídio teve início por um motivo considerado banal e, até o momento, os elementos reunidos não sustentam a alegação de legítima defesa apresentada pelo investigado.
De acordo com o delegado, o desentendimento começou após João Ezequiel chegar ao imóvel para buscar a esposa, que estava na residência desde o meio-dia. Conforme o relato do investigado, o policial teria chutado o portão da casa após encontrar um aviso informando que o interfone estava quebrado e orientando os visitantes a baterem no portão. A atitude teria provocado o início da discussão entre os envolvidos.
As investigações apontam que a vítima e os ocupantes da residência eram conhecidos e mantinham relação de amizade. Ainda segundo a Polícia Civil, as pessoas presentes no local consumiam bebida alcoólica antes da confusão que terminou em homicídio.
Após os disparos, vizinhos acionaram a Polícia Militar. No local, os policiais encontraram o proprietário da residência, um advogado de 45 anos, que confessou ter efetuado os disparos contra o policial civil. Durante a ocorrência, foram apreendidas a arma utilizada pelo suspeito, que possuía registro regular, e a arma pertencente à vítima.
A perícia constatou que João Ezequiel Baptista Pereira foi atingido por três disparos, que provocaram ferimentos no crânio, na face e na região dorsal. Conforme o delegado Fabiano Moza, a vítima, embora estivesse armada, não teria efetuado nenhum disparo. No imóvel foram recolhidos quatro estojos de munição, todos compatíveis com a arma do investigado, que afirmou ter disparado uma vez para o alto antes de atingir o policial com outros três tiros.
Durante o depoimento, o advogado alegou ter agido em legítima defesa por acreditar que seria baleado pelo policial. No entanto, a principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios aponta em sentido contrário. Segundo Fabiano Moza, a quantidade e a forma como os disparos atingiram a vítima não são compatíveis, em tese, com uma situação de legítima defesa.
A investigação também contará com as imagens do sistema de monitoramento da residência. O proprietário autorizou o acesso aos arquivos, que possuem gravação de áudio e deverão auxiliar a Polícia Civil na reconstrução da dinâmica dos fatos e no esclarecimento das circunstâncias do crime.
SAIBA MAIS - Policial civil é morto a tiros após discussão com advogado em frente de residência no bairro Brasmadeira, em Cascavel
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