Vereador Fão do Bolsonaro protocola pedido de cassação contra Dr. Lauri após denúncia sobre uso de assessor em obra particular
Denúncia apresentada à Controladoria e à Câmara de Cascavel reúne fotos, vídeos e áudios que apontam suposto desvio de função de servidor público.
O vereador Fão do Bolsonaro (PL) protocolou um pedido de cassação do mandato do vereador Dr. Lauri (MDB), vice-líder do governo na Câmara de Cascavel, após denunciar suposto uso de um chefe de gabinete para realizar serviços em uma obra particular durante o horário de expediente. Além da representação no Legislativo, o gabinete do parlamentar encaminhou à Controladoria-Geral do Município documentos e provas que devem subsidiar uma investigação administrativa sobre o caso.
A denúncia foi anunciada durante a sessão ordinária desta segunda-feira (13/07). Na tribuna, Fão do Bolsonaro afirmou que o assessor, que recebe remuneração superior a R$ 9 mil, teria sido flagrado executando serviços particulares enquanto deveria estar exercendo as funções do cargo público.
Segundo o vereador, a denúncia apresentada desta vez foi acompanhada de provas. Ele afirmou que, desde o início do mandato, recebeu diversas informações sem comprovação, mas decidiu levar o caso adiante após reunir elementos que, segundo ele, demonstram a irregularidade. Durante o pronunciamento, defendeu que entrou na política para combater irregularidades e afirmou que a Câmara deve dar exemplo de integridade na administração pública.
Fão também declarou que o pedido de cassação foi protocolado antes do início da sessão e sustentou que as imagens obtidas mostram o chefe de gabinete realizando atividades em uma obra particular durante o expediente. O parlamentar afirmou ainda que a investigação contou com registros feitos por drone e reforçou que o caso envolve possível utilização indevida de recursos públicos.
O vereador Policial Madril (PP) confirmou que acompanhou parte da apuração após ser procurado por Fão do Bolsonaro. Segundo ele, orientou que toda a denúncia fosse documentada antes de ser apresentada oficialmente.
Durante a sessão, Madril afirmou que recomendou a produção de provas materiais, como imagens e registros, para fundamentar qualquer acusação. Ele disse que conhecia o assessor citado, mas que, diante das informações apresentadas e do que presenciou, considerou necessário orientar que a investigação fosse conduzida com documentação suficiente para comprovar os fatos.
De acordo com o ofício protocolado na Controladoria-Geral do Município em 8 de julho, o gabinete de Fão do Bolsonaro entregou 13 fotografias, um vídeo e dois arquivos de áudio para embasar a denúncia.
Segundo o advogado do vereador, Anderson Viecelli Della Betta, a apuração teve início durante uma fiscalização de rotina no bairro Lago Azul. Conforme relatado, assessores identificaram um caminhão da Prefeitura entrando carregado em uma empresa privada e deixando o local sem a carga, situação que despertou suspeitas.
Ainda conforme a defesa do parlamentar, o motorista teria informado à equipe o que estava ocorrendo após perceber que estava sendo acompanhado. A partir disso, os assessores passaram a monitorar a movimentação do veículo. O advogado afirmou que a suspeita inicial era de que o material transportado pudesse ser destinado a uma obra pública, já que o caminhão pertence ao Município.
Em nota, a Corregedoria-Geral do Município informou que já apura o caso após receber uma denúncia encaminhada pela Secretaria de Serviços e Obras Públicas. Segundo o órgão, um servidor relatou ter recebido as informações por intermédio do vereador Fão do Bolsonaro, inicialmente sem apresentação de provas.
A Corregedoria informou ainda que instaurou procedimento administrativo para reunir elementos e esclarecer os fatos. Como medida cautelar, o servidor investigado foi afastado das funções para evitar qualquer interferência na apuração.
O órgão também notificou oficialmente o vereador Fão do Bolsonaro para apresentar toda a documentação e os elementos de prova relacionados à denúncia.
Ao final da sessão, o líder do governo na Câmara, vereador João Diego (Republicanos), afirmou que o caso deverá seguir para análise do Conselho de Ética e que a situação envolvendo a vice-liderança do governo será avaliada em conjunto com a Casa Civil.
A reportagem encaminhou um pedido de resposta ao vereador Dr. Lauri (MDB), para que apresentasse seu lado, mas até o fechamento da reportagem não fomos respondidos!