Professora de CMEI é presa preventivamente em Cascavel por suspeita de tortura contra crianças
Investigação começou em abril após vídeos mostrarem práticas consideradas incompatíveis com o cuidado de crianças de 3 anos....
Uma professora de 54 anos foi presa preventivamente nesta sexta-feira (21/08), em Cascavel, no oeste do Paraná, durante uma investigação do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) sobre suspeitas de tortura, maus-tratos, lesão corporal, castigo e coação no curso do processo contra crianças de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI). Segundo a Polícia Civil, quatro crianças de 3 anos já foram identificadas como vítimas.
A investigação começou em 14 de abril de 2026, depois que o CMEI Geraldo Figueiredo encaminhou ao Nucria uma ficha de referência relatando possíveis condutas inadequadas envolvendo três professoras. A instituição também entregou vídeos que registraram parte das situações investigadas.
De acordo com a delegada Thaís Zanatta, responsável pelo caso, as imagens analisadas pela Polícia Civil mostram uma das professoras puxando uma criança pelo braço e a arrastando dentro de uma sala de aula. Em outras imagens, a investigada aparece entregando garrafas congeladas para crianças segurarem.
A investigação também identificou uma situação em que uma criança teria sido impedida de permanecer no tatame existente na sala e obrigada a sentar no chão frio. Segundo a polícia, a criança usava apenas uma bermuda no momento da situação.
Ainda conforme a delegada, a criança registrada nas imagens teria apresentado sinais de sofrimento psicológico após os episódios. Entre os comportamentos identificados estão o isolamento das demais crianças e atos de autolesão, como arrancar fios de cabelo.
A situação também é considerada de maior vulnerabilidade porque essa criança estava em acolhimento familiar, já afastada da família biológica.
Além da professora de 54 anos, outras duas profissionais, de 44 e 50 anos, são investigadas. Segundo a Polícia Civil, as três aparecem juntas nas imagens analisadas, mas ainda não foi possível confirmar se trabalhavam permanentemente na mesma sala.
Após o início da investigação, uma das professoras teria passado a ameaçar e coagir pessoas ligadas à direção do CMEI. Diante disso, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva da mulher de 54 anos e também solicitou medidas cautelares contra as outras duas investigadas.
As duas professoras que não foram presas deverão responder em liberdade. Entre as medidas determinadas estão a proibição de contato e aproximação das vítimas e testemunhas, além do afastamento das funções públicas.
A professora presa foi localizada em sua residência por uma equipe policial. Segundo a delegada, ela não ofereceu resistência, foi interrogada e negou as acusações. Depois, foi encaminhada para a cadeia pública de Cascavel, onde permanece à disposição da Justiça.
A Polícia Civil informou que a prisão preventiva foi solicitada especificamente em razão do risco identificado durante o andamento da investigação. As demais investigadas, até o momento, não foram apontadas como tendo oferecido o mesmo risco.
O inquérito continua em andamento. As outras duas professoras ainda serão interrogadas, e os investigadores pretendem identificar possíveis novas vítimas e ouvir testemunhas que ainda não prestaram depoimento.
Até o momento, a Polícia Civil informou que foram ouvidos integrantes da equipe do CMEI, incluindo direção, coordenação e professoras. As imagens utilizadas na investigação não serão divulgadas, segundo a delegada, porque envolvem crianças.
O crime de tortura prevê pena de prisão e, conforme explicado pela Polícia Civil, a situação pode ter agravantes relacionados à idade das vítimas e ao fato de a investigada ser funcionária pública. Eventuais responsabilidades administrativas ou civis de outros envolvidos ainda poderão ser analisadas pelas autoridades competentes.
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