Setembro Amarelo amplia debate sobre saúde mental e destaca atuação da Psicologia hospitalar
No ambiente hospitalar, essa discussão encontra situações concretas todos os dias....
O Setembro Amarelo coloca a saúde mental em evidência e amplia, ao longo do mês, o espaço para discutir sofrimento emocional, prevenção do suicídio e a importância de buscar ajuda.
No ambiente hospitalar, essa discussão encontra situações concretas todos os dias. No Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), a Psicologia acompanha pacientes e familiares diante de momentos de crise, diagnósticos graves, luto e outras circunstâncias que podem afetar profundamente a saúde mental.
Casos de tentativa de suicídio, situações de luto, cuidados paliativos, diagnósticos graves e pacientes que permanecem por longos períodos no hospital fazem parte das demandas acompanhadas pela Psicologia do HUOP. Em diferentes momentos da assistência, o sofrimento emocional aparece junto ao adoecimento e também alcança os familiares que acompanham o paciente.
É nesse cenário que os psicólogos do HUOP atuam. O atendimento começa a partir de uma demanda identificada pela equipe ou pelo próprio paciente e envolve acolhimento, compreensão do contexto e avaliação dos fatores que estão provocando ou mantendo o sofrimento. O objetivo é encontrar, dentro de cada situação, formas de intervenção que possam ajudar o paciente a atravessar aquele momento.
“Primeiro, a gente vai entender o que está acontecendo, fazer esse acolhimento e uma análise contextual da situação”, explica o psicólogo Caio Fernando de Carvalho. A partir dessa avaliação, a equipe procura compreender o que está causando ou mantendo o sofrimento e quais intervenções podem contribuir para reduzi-lo.
Ansiedade, sintomas depressivos, estresse, dificuldades de adaptação ao tratamento, luto, luto antecipatório, momentos de crise e comunicação de más notícias estão entre as demandas atendidas pela equipe.
Também são acompanhados casos específicos, como tentativas de suicídio, violência sexual, cuidados paliativos e situações envolvendo morte encefálica, além de pacientes de longa permanência e seus familiares.
Para os profissionais, o impacto extrapola o paciente, a hospitalização também repercute sobre a família, que pode precisar reorganizar sua rotina diante da ausência de alguém que exercia funções importantes dentro de casa. O familiar pode ser responsável pelo sustento, pelo cuidado dos filhos ou simplesmente ocupar um lugar afetivo importante no cotidiano. Quando essa pessoa passa a permanecer no hospital, a dinâmica familiar muda.
“A doença em si, a hospitalização em si, acaba trazendo repercussões para toda a família”, explica Caio. Segundo ele, esse impacto ocorre tanto pela alteração na organização familiar quanto pela maneira como cada integrante reage à situação.
A pessoa internada deixa de estar presente em tarefas cotidianas, como levar as crianças à escola, sustentar a casa ou participar dos afazeres domésticos. “Às vezes, é a pessoa que está ali no domingo no almoço contando uma piada, é a pessoa que está servindo para levar os filhos para a escola, esse tipo de coisa”, explica Sheila Taba, psicóloga atuante do HUOP.
A ausência modifica a rotina e pode exigir que outros familiares assumam responsabilidades que antes estavam concentradas em uma única pessoa.
Além disso, a gravidade dos casos atendidos no HUOP também influencia esse processo. Os riscos de morte, alterações nas expectativas de vida e a incerteza inerente a uma condição médica grave podem afetar emocionalmente tanto o paciente quanto seus acompanhantes.
Há preocupações que persistem também fora do ambiente hospitalar, como trabalho, estudos, problemas financeiros e outras obrigações familiares. Por isso, a equipe também direciona atenção aos acompanhantes. Em situações de maior gravidade, os psicólogos orientam que o familiar preserve, dentro do possível, cuidados básicos consigo mesmo, como alimentação, sono e higiene. A preocupação é que aquele que oferece suporte ao paciente também tenha condições físicas e emocionais para continuar exercendo esse papel.
O acompanhamento pode abranger ainda a ativação da rede de suporte. Quando possível, a equipe busca auxiliar a família na partilha de responsabilidades, seja por meio da rotatividade de acompanhantes ou pela reorganização das tarefas que permanecem fora do hospital. Filhos, animais de estimação, trabalho e outras obrigações continuam a exigir atenção mesmo durante uma internação. “Quem está cuidando das plantas? Quem está cuidando do cachorro? Quem está cuidando do filho, do paciente, do neto?”, questiona Sheila.
A equipe procura, a partir dessas questões, mobilizar a rede de apoio e redistribuir tarefas quando isso é possível.
Esse acompanhamento acontece por meio de atendimentos que podem ser realizados à beira-leito, junto ao paciente, ou em um espaço mais reservado, quando necessário e possível. A intenção é permitir que o familiar também tenha espaço para falar sobre aquilo que está enfrentando.
A preocupação com os familiares ganha outra dimensão quando o paciente deixa o hospital, mas ainda necessita de cuidados. Em alguns casos, a alta não significa o fim das responsabilidades, e a família passa a assumir parte importante da assistência em casa. Por isso, os profissionais também trabalham para que esses cuidadores estejam em condições de acompanhar o paciente nessa nova etapa.
Como chegar ao atendimento?
O acesso à Psicologia Hospitalar pode acontecer a partir de uma solicitação da própria equipe assistencial. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais podem identificar uma demanda e solicitar o acompanhamento. O próprio paciente também pode pedir atendimento.
A equipe do HUOP, contemplando demandas específicas, mantém registros separados de situações como tentativa de suicídio, violência sexual e cuidados paliativos, entre outras categorias utilizadas para organizar o serviço. Há também atuação junto à psiquiatria, incluindo o acompanhamento de adolescentes em processo de desintoxicação.
As diferentes necessidades acompanhadas pela equipe mostram a amplitude da atuação da Psicologia no hospital, mas também deixam claro que não existe uma resposta única para o sofrimento emocional. As circunstâncias do adoecimento, os vínculos familiares e a maneira como cada pessoa enfrenta aquele momento orientam a forma como o atendimento é conduzido.
A Psicologia integra a assistência multiprofissional oferecida pelo HUOP e acompanha pacientes e familiares ao longo de diferentes momentos da hospitalização. O trabalho envolve acolhimento, avaliação das necessidades emocionais e acompanhamento individualizado, considerando também as mudanças provocadas pelo adoecimento na rotina e na dinâmica familiar.
Para a equipe, a escuta faz parte da assistência tanto quanto a identificação da demanda e o acompanhamento de cada caso. O trabalho desenvolvido pelos psicólogos amplia o cuidado para além da condição clínica e alcança também as repercussões emocionais e familiares provocadas pelo adoecimento. No HUOP, essa atuação integra a estrutura de atendimento de um hospital de referência regional, com profissionais preparados para acolher demandas de saúde mental que surgem ao longo da assistência.
Iniciativas como o Setembro Amarelo contribuem para popularizar o debate sobre suicídio, tirando-o dos ambientes em que costuma permanecer confinado e facilitando o contato da população com rotas de apoio. No HUOP, essa discussão está integrada na assistência prática, detectando o sofrimento, acolhendo pacientes e familiares e monitorando casos que demandam atenção psicológica.
Enquanto a campanha expande o diálogo na sociedade, o cuidado hospitalar segue sendo parte da rotina.
Importante
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil ou tem pensamentos de suicídio, procure apoio. Conversar com alguém de confiança ou buscar ajuda profissional pode fazer a diferença. Você não precisa enfrentar isso sozinho.
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