27 de outubro de 2026

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Refúgio Biológico da Itaipu presta cuidados a ovos apreendidos pela Receita Federal na fronteira

Dos 34 ovos retidos, sete eram de psitacídeos (família das aves de bicos curvos, como araras e papagaios) e os demais 27 de ranfastídeos (tucanos e araçaris)....

Refúgio Biológico da Itaipu presta cuidados a ovos apreendidos pela Receita Federal na fronteira
© Sara Cheida/Itaipu Binacional

A equipe do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), mantido pela Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR), está prestando os cuidados aos ovos e filhotes de aves nativas apreendidas pela Receita Federal no sábado (24), em um ônibus de passageiros que saía da região de fronteira.  

Dos 34 ovos retidos, sete eram de psitacídeos (família das aves de bicos curvos, como araras e papagaios) e os demais 27 de ranfastídeos (tucanos e araçaris). Os primeiros filhotes nasceram já na madrugada de domingo e até a manhã desta terça-feira um total de 12 ovos já haviam eclodido com o nascimento de 10 ranfastídeos e dois psitacídeos. A espécie exata dos filhotes ainda não pode ser determinada. A previsão é que até sexta-feira (30) nasçam todas as aves. 

Os ovos estão em uma incubadora que mantém temperatura e umidade ideais. Assim que nascem, as aves são levadas para uma Unidade de Tratamento Animal (UTA) onde ficarão por, pelo menos, 40 dias. “Tudo vai depender do desenvolvimento. Atualmente eles recebem 11 alimentações por dia, das 7h às 17h e monitoramos as condições de evolução para determinar os próximos passos”, explica Aline Konell, veterinária do RBV. 

Segundo Fabiana Stamm, zootecnista da Itaipu, as aves estão sendo alimentadas conforme preconiza a literatura científica, com papinha especialmente preparada para eles. “Os ranfastídeos precisam de um alimento com mais proteína, então elaboramos um farelo com uma formulação exclusiva. Já para os psitacídeos é um pouco mais fácil porque existe uma papinha que é vendida comercialmente e pode ser usada”, afirma. 

Os cuidados antes do nascimento envolvem uma ovoscopia, exame feito a cada dois dias utilizando aparelho com uma lâmpada para acompanhar o desenvolvimento dos embriões e da estrutura do ovo. Além disso, é feito também o monitoramento dos batimentos cardíacos do embrião por meio de um aparelho específico. 

Após o nascimento, as aves são manejadas com o mínimo possível contato humano para evitar que aconteça o imprinting, que é a criação de vínculo com a pessoa que está cuidando do animal. Isso permite que se possa pensar na possibilidade de soltura desses indivíduos no futuro. “Nós não definimos o destino dos animas. Prestamos os cuidados da melhor forma possível para que eles não se acostumem com humanos. Quem vai definir se serão soltos ou não são os órgãos ambientais”, destaca Aline.

/Luiz Felipe Max - Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional


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