Animais do Refúgio Biológico da Itaipu entram no clima do Dia do Saci e Halloween
Onças, lobos, antas e outros moradores do Refúgio ganharam surpresas assustadoramente saborosas...
O esturro da onça se misturou com os grunhidos dos zumbis. Foi nesse clima que o Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) celebrou o Dia do Saci e o Halloween. Os animais do local tiveram uma deliciosa e, ao mesmo tempo, aterrorizante atividade – no sentido figurado, claro. Para marcar as datas, comemoradas em 31 de outubro, a equipe de profissionais preparou decoração e cardápio especiais para sexta-feira e sábado (30 e 31).
Animais de quase todas as cerca de 50 espécies do bioma da Mata Atlântica que fazem parte do plantel do Refúgio, mantido pela Itaipu em Foz do Iguaçu, participaram das atividades de enriquecimento ambiental. A técnica utiliza desafios sensoriais para estimular o comportamento natural e o instinto de animais sob cuidados humanos. Alguns exemplos são os picolés de sangue saboreados por carnívoros, como as onças-pintadas, e os legumes cuidadosamente acondicionados dentro de abóboras, voltados aos animais herbívoros.
Segundo Fabiana de Orte Stamm, zootecnista do RBV, o enriquecimento ambiental proporciona experiências diferentes na rotina dos animais. Na natureza, eles precisam superar obstáculos para encontrar comida. Sob cuidados humanos, porém, o alimento está disponível com mais facilidade. “É uma maneira de o animal apresentar o comportamento natural dele, de caçar, de procurar o alimento. Ele precisa explorar, descobrir como conseguir a comida e enfrentar algum desafio”, explica.
A temática de Halloween também tem uma função especial para quem visita o Refúgio. A decoração transforma a atividade em uma atração mais interessante para o público. “Para eles, uma simples caixa já é um ótimo obstáculo de enriquecimento ambiental. Mas, para as pessoas, é muito mais legal quando, em vez de uma caixa, temos uma abóbora de Halloween”, comenta Fabiana.
A bióloga Laís Bolognani Rocha, supervisora de Bem-Estar Animal, conta que a programação especial contempla espécies com hábitos bastante diferentes. Lobos, antas, onças, mutuns, cutias, cachorro-do-mato e siriemas estão entre os participantes.
O trabalho de enriquecimento, no entanto, não se limita às datas comemorativas. O Refúgio mantém um cronograma mensal, com atividades distribuídas ao longo da semana. A frequência varia conforme as necessidades de cada espécie. Alguns animais recebem enriquecimentos três vezes por semana, enquanto outros participam duas vezes. Também há sessões diárias de treinamento e condicionamento.
Os resultados aparecem na rotina dos animais. De acordo com Laís, eles passam mais tempo explorando os recintos, procurando alimentos e investigando novos cheiros. A interação com o ambiente e com os profissionais também evolui.
Um exemplo são os lobos, que antes costumavam permanecer mais tempo dentro das tocas e agora aparecem com maior frequência nas atividades propostas pela equipe. “Com uma rotina maior de enriquecimento e condicionamento, eles estão cada vez mais interagindo e respondendo mais rápido às atividades”, relata.
Olhares atentos
O enriquecimento ambiental temático de Halloween e Dia do Saci chama a atenção de quem visita o RBV. Os visitantes conseguem observar os animais explorando os objetos, procurando comida e interagindo com os obstáculos preparados pela equipe.
“Eles gostam bastante. Quando a gente consegue conciliar o horário da visita com o enriquecimento, os olhos brilham. As pessoas ficam atentas para acompanhar o comportamento dos animais”, conta Laís. Para ela, as atividades também contribuem para a educação ambiental, aproximando o público do conhecimento sobre as espécies e seus hábitos.
A professora de Biologia Denise de Cássia Negrão levou 14 estudantes do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Libanesa, de Foz do Iguaçu, para conhecer o Refúgio. Ela aprovou a programação temática. “Estou adorando. Os alunos estão superempolgados. É uma atração muito criativa e estimulante”, disse.
Para o estudante Kassem Hijazi, a visita em um dia de programação especial foi uma sorte. “Achei muito legal ter vindo nesse dia. É muito interessante ver os bichos se alimentando de forma diferente”, comentou.
A atividade também ajuda a aproximar os conteúdos estudados. “A gente vê na prática tudo o que a professora fala em sala de aula”, afirmou.
A colega Rayana Mroue também destacou a oportunidade de observar os hábitos alimentares dos animais. Para ela, a experiência amplia a compreensão dos conteúdos de Biologia. “Dá para ter uma noção melhor, não ficando apenas na teoria. Conseguimos conectar o que aprendemos em sala de aula com o ambiente em que estamos”, explicou.
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