31 de outubro de 2026

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Flávio Bolsonaro diz que decidiu deixar o Brasil após alerta de Jair Bolsonaro

Senador afirmou que decidiu deixar o país após ser intimado a entregar passaportes e disse que pretende manter atuação política nos Estados Unidos...

Flávio Bolsonaro diz que decidiu deixar o Brasil após alerta de Jair Bolsonaro
© Reprodução/Instagram

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira que decidiu deixar o Brasil após conversar com a mulher, Fernanda, e receber um alerta do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante uma visita na segunda-feira. O senador relatou que foi intimado a entregar os passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que decidiu manter o plano de saída em sigilo para evitar que fosse frustrado.

Durante uma transmissão ao vivo no Instagram, Flávio afirmou que tomou a decisão de deixar o país em conjunto com a esposa e pediu que apoiadores não responsabilizassem integrantes de sua campanha ou aliados pela fuga. Segundo ele, poucas pessoas tinham conhecimento da decisão antes da viagem.

O senador contou que conversava com Jair Bolsonaro sobre o resultado da eleição quando, ao fim dos 30 minutos de visita, foi informado de que agentes da Polícia Federal estavam no local para comunicar a decisão de Moraes. Na sequência, recebeu a intimação para entregar os passaportes.

Segundo Flávio, Jair Bolsonaro pediu aos agentes que se afastassem para uma conversa reservada e demonstrou preocupação com o alcance das medidas judiciais. O senador afirmou que, depois do encontro, voltou para casa, conversou com Fernanda e confirmou a decisão de deixar o Brasil.

Flávio justificou a saída alegando que poderia ser alvo de novas medidas judiciais e utilizado como instrumento de pressão em negociações relacionadas ao ex-presidente. Ele também acusou integrantes do Judiciário de perseguição política, sem apresentar provas para sustentar a afirmação.

A decisão de Moraes ocorreu no âmbito de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos financeiros entre Flávio e o advogado Willer Tomaz. Entre os pontos investigados está o acesso atribuído ao senador, com perfil de administrador, a uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa ligada ao advogado. Flávio nega relação comercial irregular.

O senador também é investigado em procedimento sob relatoria do ministro André Mendonça, relacionado à tentativa de obter financiamento junto ao empresário Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades nesse caso.

Flávio chegou a Miami na terça-feira sem cumprir a determinação de entregar os passaportes até as 11h daquele dia. A defesa informou à Justiça que não havia conseguido contato com o senador. A saída ocorreu em meio a divergências entre aliados sobre a estratégia a ser adotada após a derrota eleitoral.

Na transmissão, Flávio afirmou que pretende continuar atuando politicamente a partir dos Estados Unidos e disse estar disposto a disputar novamente a Presidência da República. Ele também declarou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado e criticou negociações relacionadas à liberdade de Jair Bolsonaro.

Durante a live, o senador voltou a questionar o resultado eleitoral sem apresentar provas de fraude. Entre os argumentos citados está a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar até as 19h a votação em seções que ainda estavam abertas, após pedidos das duas campanhas relacionados a dificuldades no transporte de eleitores.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 34,3 mil votos foram registrados depois das 17h, o equivalente a aproximadamente 0,03% do total. A medida não permitiu a reabertura de seções que já haviam encerrado a votação.

As alegações também apareceram em uma carta divulgada depois da chegada de Flávio aos Estados Unidos. No documento, ele inicialmente se apresentou como o verdadeiro presidente eleito, apesar do resultado oficial, mas posteriormente alterou a expressão para “líder do Brasil”.

A carta provocou desconforto entre aliados. Rogério Marinho, que coordenou a campanha, afirmou que não havia provas de fraude, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu o respeito ao resultado eleitoral e passou a ser criticado por integrantes do bolsonarismo.

/Luiz Felipe Max - Foto: Reprodução/Instagram


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