Estudante do Paraná cria revestimento biodegradável para proteger sementes usando resíduo da produção de seda
Pesquisa desenvolvida em Francisco Beltrão utiliza proteína do bicho-da-seda e apresenta resultados positivos na germinação e proteção contra microrganismos....
Um estudante do Centro Estadual de Educação Profissional do Sudoeste do Paraná, em Francisco Beltrão, desenvolveu um revestimento biodegradável para sementes, como as de soja, utilizando a fibroína, proteína extraída da seda do bicho-da-seda (Bombyx mori). A tecnologia busca substituir tratamentos químicos convencionais e apresentou resultados positivos em testes de germinação em solo salino e com presença de microrganismos.
A pesquisa de Gustavo Bachmann utiliza a fibroína extraída da anafaia, material formado pelos fios produzidos pelo bicho-da-seda no início da construção do casulo. Como esses fios são desalinhados, costumam ter baixo valor comercial e são considerados resíduos da produção de seda.
A proposta é transformar essa matéria-prima em uma película protetora aplicada à superfície das sementes, agregando valor a um material da sericicultura e ampliando as possibilidades de utilização na agricultura.
O projeto também prevê o uso da sericina para dar sustentação à estrutura do revestimento e da nisina, substância de origem natural com propriedades antimicrobianas.
Para desenvolver a tecnologia, o estudante realizou a extração da fibroína e preparou o material para aplicação nas sementes. Depois da aplicação e da secagem, a substância forma uma camada que pode ajudar a proteger as sementes durante a germinação.
Nos experimentos, o revestimento biológico apresentou desempenho superior ao tratamento químico convencional em condições de solo salino. Também foram realizados testes com bactérias e fungos, nos quais a película contribuiu para proteger as sementes contra a ação dos microrganismos.
O estudante também identificou vantagens no desenvolvimento inicial das plantas em comparação com o tratamento químico utilizado como referência.
A iniciativa está relacionada à economia circular, ao buscar uma destinação de maior valor para resíduos da produção de seda e incentivar alternativas agrícolas com menor impacto ambiental. Segundo a professora coordenadora, Lydiane Damaceno Carvalho Franchin, a pesquisa pretende ampliar as aplicações da fibroína e da sericina no desenvolvimento de revestimentos ecológicos para sementes.
A relevância da proposta também está relacionada à importância da sericicultura para a economia paranaense. O Estado responde por aproximadamente 85% da produção nacional de seda e lidera a produção de casulos na América Latina. A atividade é desenvolvida principalmente por agricultores familiares.
Em 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) da sericicultura no Paraná alcançou R$ 34,57 milhões, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Dos 399 municípios paranaenses, 137 participam da atividade.
A seda produzida no Estado também abastece mercados internacionais, incluindo França, China, Índia, Itália e Japão.
OUTRAS APLICAÇÕES
A fibroína também vem sendo estudada para aplicações em outras áreas. A mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Vitória Ferreira, desenvolveu um produto facial hidratante utilizando o insumo.
O sérum passou por testes clínicos com mais de 50 voluntários, está patenteado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e apresentou potencial antioxidante e de regeneração.
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