05 de novembro de 2026

Cascavel

Fale conosco

Paraná

Estudante do Paraná cria revestimento biodegradável para proteger sementes usando resíduo da produção de seda

Pesquisa desenvolvida em Francisco Beltrão utiliza proteína do bicho-da-seda e apresenta resultados positivos na germinação e proteção contra microrganismos....

Estudante do Paraná cria revestimento biodegradável para proteger sementes usando resíduo da produção de seda
© SEED

Um estudante do Centro Estadual de Educação Profissional do Sudoeste do Paraná, em Francisco Beltrão, desenvolveu um revestimento biodegradável para sementes, como as de soja, utilizando a fibroína, proteína extraída da seda do bicho-da-seda (Bombyx mori). A tecnologia busca substituir tratamentos químicos convencionais e apresentou resultados positivos em testes de germinação em solo salino e com presença de microrganismos.

A pesquisa de Gustavo Bachmann utiliza a fibroína extraída da anafaia, material formado pelos fios produzidos pelo bicho-da-seda no início da construção do casulo. Como esses fios são desalinhados, costumam ter baixo valor comercial e são considerados resíduos da produção de seda.

A proposta é transformar essa matéria-prima em uma película protetora aplicada à superfície das sementes, agregando valor a um material da sericicultura e ampliando as possibilidades de utilização na agricultura.

O projeto também prevê o uso da sericina para dar sustentação à estrutura do revestimento e da nisina, substância de origem natural com propriedades antimicrobianas.

Para desenvolver a tecnologia, o estudante realizou a extração da fibroína e preparou o material para aplicação nas sementes. Depois da aplicação e da secagem, a substância forma uma camada que pode ajudar a proteger as sementes durante a germinação.

Nos experimentos, o revestimento biológico apresentou desempenho superior ao tratamento químico convencional em condições de solo salino. Também foram realizados testes com bactérias e fungos, nos quais a película contribuiu para proteger as sementes contra a ação dos microrganismos.

Siga o SOT no Google e fique por dentro de todas as notícias
Seguir no Google

O estudante também identificou vantagens no desenvolvimento inicial das plantas em comparação com o tratamento químico utilizado como referência.

A iniciativa está relacionada à economia circular, ao buscar uma destinação de maior valor para resíduos da produção de seda e incentivar alternativas agrícolas com menor impacto ambiental. Segundo a professora coordenadora, Lydiane Damaceno Carvalho Franchin, a pesquisa pretende ampliar as aplicações da fibroína e da sericina no desenvolvimento de revestimentos ecológicos para sementes.

A relevância da proposta também está relacionada à importância da sericicultura para a economia paranaense. O Estado responde por aproximadamente 85% da produção nacional de seda e lidera a produção de casulos na América Latina. A atividade é desenvolvida principalmente por agricultores familiares.

Em 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) da sericicultura no Paraná alcançou R$ 34,57 milhões, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Dos 399 municípios paranaenses, 137 participam da atividade.

A seda produzida no Estado também abastece mercados internacionais, incluindo França, China, Índia, Itália e Japão.

OUTRAS APLICAÇÕES

A fibroína também vem sendo estudada para aplicações em outras áreas. A mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Vitória Ferreira, desenvolveu um produto facial hidratante utilizando o insumo.

O sérum passou por testes clínicos com mais de 50 voluntários, está patenteado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e apresentou potencial antioxidante e de regeneração.

/Samoel Almeida - Foto: SEED


Mais Lidas