Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária e pressão por impeachment
Decisão foi anunciada nesta quinta-feira (05/11), após aliados retirarem apoio ao presidente e todas as bancadas defenderem o impeachment....
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (05/11), em meio a uma crise bancária envolvendo o banco digital Ueno e à pressão política por um processo de impeachment. A decisão foi anunciada em vídeo, no qual o presidente afirmou que deixou o cargo para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas.
Peña também pediu desculpas à população pelos impactos da crise e afirmou que os responsáveis pelas irregularidades identificadas no sistema financeiro deverão responder à Justiça.
A pressão pela saída do presidente aumentou nesta quinta-feira, depois que aliados políticos retiraram o apoio ao governo. O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, e o líder do Partido Colorado, Horacio Cartes, passaram a defender a renúncia e a abertura do processo de impeachment.
Na Câmara dos Deputados, todas as bancadas anunciaram apoio ao pedido, que havia sido apresentado por 35 parlamentares. A sessão extraordinária convocada pelo Congresso seria a primeira etapa da tramitação do impeachment.
Entre as acusações contra Peña estavam conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. A oposição também apontava suposto encobrimento de irregularidades pelo Banco Central paraguaio.
A crise teve como um dos principais desdobramentos o fechamento do banco digital Ueno, na terça-feira (03/11), após o início do processo de liquidação determinado pelo Banco Central. A instituição identificou insuficiência de recursos para cobrir as obrigações financeiras, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco.
O Ueno pertencia ao Grupo Vázquez e tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, além de concentrar cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña havia sido acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025. A relação foi um dos pontos utilizados pela oposição para questionar a atuação do presidente durante a crise.
Após a liquidação, executivos do banco se entregaram às autoridades, depois da emissão de mandados de prisão pela Procuradoria. Ao todo, 27 pessoas ligadas à instituição foram formalmente acusadas, e a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos investigados.
Na quarta-feira (04/11), relatos de falhas nos aplicativos de outras instituições financeiras também aumentaram a preocupação entre os clientes. A Associação de Bancos do Paraguai informou que as instituições trabalhavam para atender ao grande volume de pessoas que transferiam suas contas do Ueno, mas afirmou que o sistema bancário continuava operando normalmente.
Pouco antes de promulgar uma lei destinada a acelerar a devolução dos recursos aos clientes do banco, Peña pediu que os setores políticos priorizassem os interesses dos poupadores.
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