23 de fevereiro de 2026

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Esperança: HUOP realiza aplicação de polilaminina e marca momento histórico na assistência a pacientes com lesão medular

O medicamento é desenvolvido pelo Laboratório Cristália através de pesquisa liderada pela Drª. Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro..

Esperança: HUOP realiza aplicação de polilaminina e marca momento histórico na assistência a pacientes com lesão medular
© Divulgação

O último sábado (21) foi marcado por inovação e esperança no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). No centro cirúrgico, cada movimento era técnico e preciso, mas havia também um sentimento compartilhado por toda a equipe: a possibilidade de abrir um novo caminho para um jovem de apenas 23 anos.

Wagner Felipe De lima sofreu um acidente recente que resultou em um trauma raquimedular grave. Ele precisou passar por cirurgia de descompressão das vértebras T3 e T4, além do tratamento de ruptura da T3. Após o procedimento inicial realizado pela equipe do HUOP, a avaliação clínica apontou que ele preenchia os critérios para solicitação da aplicação da Polilaminina. 

A aplicação foi autorizada por meio do uso compassivo, mecanismo regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permite o acesso a terapias experimentais em situações específicas, quando não há alternativas eficazes disponíveis e o paciente atende a critérios rigorosos. 

O medicamento é desenvolvido pelo Laboratório Cristália através de pesquisa liderada pela Drª. Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.

O neurocirurgião e professor da Unioeste, Dr. Lázaro de Lima explica que a indicação foi cuidadosamente analisada: “Ele sofreu um acidente recente, passou pela descompressão de T3 e T4 e tratamento da ruptura de T3. Após a estabilização, avaliamos que ele tinha critérios para receber a Polilaminina. Organizamos toda a documentação necessária e solicitamos à Anvisa a liberação para uso compassivo.”

Coordenando o curso de Medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), está Marcius Benigno M. dos Santos, que destacou que o momento reforça a essência do hospital universitário. “Aqui conseguimos unir assistência, ensino e pesquisa. A residência é uma força fundamental dentro do hospital, e participar de um estudo como esse transforma a formação desses médicos. É preciso manter os pés firmes na ciência, porque ainda é uma fase inicial, mas sem nunca perder a esperança”, afirmou.

Lesões medulares, como a que acometeu o paciente, costumam provocar comprometimento motor e sensitivo abaixo do nível da lesão. A vértebra T3 está localizada na porção superior da coluna torácica; danos nessa região podem afetar tronco e membros inferiores, impactando diretamente a autonomia do paciente.

É nesse cenário que a Polilaminina surge como uma possibilidade científica. A proposta do produto é atuar como uma matriz biológica capaz de favorecer a reconexão neural, criando um ambiente mais propício para regeneração das fibras nervosas lesionadas. Ainda não se trata de um tratamento aprovado comercialmente, mas de uma alternativa experimental baseada em anos de pesquisa.

Antes do procedimento, o paciente, Wagner Felipe de Lima, falou sobre suas expectativas diante da nova etapa. “A gente tem que ter esperança, né? Esperança nunca deve morrer. Eu acho que vai dar tudo certo. Pelas pesquisas que eu andei vendo, os resultados podem ser bons”, afirmou, demonstrando confiança e serenidade diante de um grande desafio.

Arthur Luiz Freitas Forte, médico que integra a equipe de pesquisa, ressalta a responsabilidade envolvida: “O paciente e a família foram informados de que o medicamento ainda está em fase inicial de estudo. Existe um protocolo rigoroso. Não se trata de promessa, mas de possibilidade científica. Mesmo assim, eles demonstraram confiança e desejaram seguir.”

O fator tempo foi determinante. Em lesões medulares agudas, como neste caso, ainda não há formação de fibrose extensa, uma espécie de cicatriz que cria uma barreira física à regeneração. Essa “janela biológica” aumenta a relevância da intervenção precoce.

O neurocirurgião Bruno Cortês, do Hospital Souza Aguiar, que participou da padronização da técnica de aplicação, detalha a complexidade do procedimento: “A aplicação é feita em dois pontos específicos, um acima e outro abaixo da lesão. A ideia é criar uma rede de sustentação que favoreça a reconexão. É um procedimento milimétrico, que exige precisão absoluta.”

Após a aplicação, o trabalho está longe de terminar. O paciente seguirá com acompanhamento clínico rigoroso, exames periódicos e reabilitação multiprofissional. Fisioterapia intensiva, avaliações neurológicas e monitoramento de possíveis respostas motoras farão parte da rotina.

O diretor geral do HUOP, Rafael Muniz de Oliveira, destacou o protagonismo institucional da unidade hospitalar. “O HUOP tem sido pioneiro nos últimos anos em diversas ações, foi assim durante a pandemia da COVID-19 e agora com a aplicação da Polilaminina em um paciente internado aqui neste fim de semana. Nossa equipe está sempre em busca de recursos que a ciência nos possibilita, dando prioridade para o paciente e para toda nossa região oeste e sudoeste. Seguimos orgulhosos e comprometidos com nosso trabalho, que vem sendo apoiado pela Secretaria de Saúde do Estado”, afirmou.

Rodrigo Barcella, diretor administrativo do HUOP contextualiza a importância institucional do momento: “Para um hospital universitário, unir assistência, ensino e pesquisa é essencial. Participar de uma aplicação como essa coloca a instituição em posição de protagonismo científico, mas, acima de tudo, reforça nosso compromisso com cada paciente.”

O protagonismo da instituição também foi ressaltado pelo reitor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Alexandre Almeida Webber, que destacou a relevância da participação no estudo. “É importante a nossa universidade, junto com o hospital universitário, estar nessa pesquisa. Isso demonstra o papel do hospital de estar à frente em tudo que há de mais avançado. Participar de um estudo clínico como esse é fundamental para nossos residentes, professores e acadêmicos acompanharem algo que pode mudar a realidade da medicina no tratamento de pessoas que perderam movimentos. Os resultados são promissores, e esperamos que avance cada vez mais”, ressaltou.

E quando as portas do centro cirúrgico se fecharam, não era apenas o término de um procedimento. Era o início de uma nova etapa - feita de espera, reabilitação, exames, pequenos sinais e grandes expectativas. Agora, começa um caminho que exige paciência,avaliações constantes e força emocional. Cada contração muscular, cada resposta sensitiva, cada avanço, por menor que seja, terá um peso imenso. 

Mais do que um avanço técnico, o momento simboliza a força de uma instituição pública que une ciência, ensino e compromisso social para transformar realidades. Entre protocolos, pesquisas e procedimentos de alta complexidade, permanece aquilo que move a medicina todos os dias: a responsabilidade de cuidar, inovar e acreditar que cada passo pode representar um recomeço.

/Assessoria HUOP - Foto: Divulgação

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