04 de setembro de 2026

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Seguro rural avança no Senado, mas Apepa teme veto presidencial a projeto que muda regras da subvenção

PL aprovado pelo Senado prevê maior estabilidade para recursos do seguro rural, mas setor teme que mudanças orçamentárias sejam vetadas....

Seguro rural avança no Senado, mas Apepa teme veto presidencial a projeto que muda regras da subvenção
© Divulgação

A aprovação pelo Plenário do Senado do Projeto de Lei 2.951/2024, que estabelece novas regras para o seguro rural e busca dar maior estabilidade à subvenção ao prêmio, foi considerada um avanço histórico pela Associação Paranaense das Empresas de Planejamento Agropecuário (Apepa). Após as alterações feitas pela Câmara dos Deputados, a proposta segue para sanção presidencial, mas o setor teme a possibilidade de veto.

O projeto, de autoria da senadora Tereza Cristina, pode alterar a relação entre produtores rurais, seguradoras e governo na construção de uma política de gestão de riscos agropecuários mais estável. A principal preocupação agora está na decisão presidencial, especialmente diante do histórico de vetos relacionados a questões orçamentárias.

Para o diretor-técnico da Apepa, Lucas Schauff, o principal avanço da proposta está na criação de condições para uma política pública com maior previsibilidade. Na avaliação dele, o seguro rural precisa ocupar posição central nas estratégias de gestão de riscos da atividade agropecuária, o que depende de regras estáveis e de maior segurança sobre a disponibilidade dos recursos.

O texto aprovado estabelece mecanismos para ampliar a estabilidade orçamentária da subvenção ao prêmio do seguro rural. Pela proposta, as despesas com a subvenção terão execução orçamentária obrigatória, dentro do limite previsto na Lei Orçamentária Anual, além de ficarem protegidas das limitações de empenho e movimentação financeira previstas na legislação.

Segundo Schauff, a mudança pode enfrentar um dos principais obstáculos à expansão do seguro rural no Brasil. Atualmente, o setor enfrenta incertezas frequentes sobre os recursos disponíveis, com anúncios de valores que podem ser posteriormente afetados por contingenciamentos, bloqueios ou alterações na disponibilidade orçamentária.

A falta de previsibilidade, conforme a avaliação da Apepa, prejudica o planejamento das seguradoras e dos produtores rurais. Sem maior segurança sobre os recursos destinados ao programa, ficam comprometidos o desenvolvimento de novos produtos, o aprimoramento das coberturas e a ampliação do atendimento aos produtores.

A proposta também amplia a integração entre seguro rural e crédito. O texto prevê que operações de crédito rural protegidas por seguro possam ter condições diferenciadas de juros, prazos e limites, além de prioridade no acesso ao financiamento.

Para o setor, a medida reconhece a relação entre a proteção da produção e a segurança das operações financeiras. O seguro rural permite transferir parte dos riscos da atividade agropecuária para empresas especializadas, como seguradoras e resseguradoras, reduzindo a vulnerabilidade do produtor diante de eventos capazes de comprometer a produção.

A aprovação ocorre em um momento de busca por maior capacidade de resposta aos riscos climáticos e produtivos. A expectativa é que uma política pública mais previsível permita às seguradoras investir no desenvolvimento de novas soluções, aperfeiçoar coberturas e ampliar o alcance dos produtos oferecidos ao setor agropecuário.

Com a aprovação no Senado, o PL 2.951/2024 encerra uma etapa importante da tramitação. A entrada em vigor das mudanças, porém, ainda depende da sanção presidencial. Caso seja sancionada, a proposta poderá se tornar uma nova referência para a organização da subvenção ao prêmio do seguro rural e para a integração entre seguro, crédito e gestão de riscos.

Na avaliação da Apepa, a aprovação representa um avanço para toda a cadeia produtiva, ao criar perspectivas de maior previsibilidade para a política pública, mais segurança para os produtores rurais e melhores condições para a proteção do crédito. A expectativa do setor agora se concentra na decisão sobre a sanção presidencial e na possibilidade de transformar o seguro rural em uma ferramenta mais estruturada de proteção da produção agropecuária no país.

/Samoel Almeida - Foto: Divulgação


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